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Perfil clínico e epidemiológico do risco cardiovascular dos usuários do USF Areão.

Favoritar este trabalho

INTRODUÇÃO: A clareza e precisão na associação entre determinadas condições e o risco de doença arterial coronariana (DAC) é tal, que têm sido desenvolvidas funções matemáticas para estimar o risco do desenvolvimento desta num dado período de tempo, a partir da presença de um maior ou menor número de fatores. Dentre tais funções, destaca-se o Escore de Framingham. OBJETIVOS: O objetivo deste trabalho foi descrever a prevalência de alguns dos principais fatores de risco cardiovascular (RCV) como realizar projeção e análise do RCV nos usuários atendidos pela unidade de saúde da família (USF) Areão. Também, foi replicar o estudo de Framingham em USF, alcançando deste modo correlação entre as mesmas variáveis utilizadas no estudo, e utilizando-se como variável desfecho o risco cardiovascular (risco%) gerado pelo estudo de Framingham. MÉTODOS: O estudo, do tipo observacional transversal, foi desenvolvido na USF Areão, teve por amostra os 158 pacientes hipertensos acompanhados pela unidade e 45 pacientes, dos usuários que frequentam a unidade, estes últimos escolhidos por conveniência. Os dados foram apresentados como média e/ou percentual. Foram avaliados os desvios padrões, e avaliados o coeficiente de variação, de regressão, e a regressão linear dos resultados das amostras para averiguar a significância estatística das variáveis categóricas e numéricas. RESULTADOS: Especialmente para a amostra de 45 pacientes, correlacionando as variáveis, as mais significantes (p<0,05) para a alteração do desfecho nessa população, que foi apresentar um risco cardiovascular baixo, moderado ou alto, as de maior significância foi o sexo (p<0,05), a faixa etária (p<0,05), a pressão sistólica (p<0,05) apresentada e consequente controle ou descontrole dos níveis pressóricos, a presença de hipertensão arterial sistêmica (p<0,05) assim como a presença de diabetes mellitus (p<0,05). Nos resultados da regressão linear (bruta) entre risco cardiovascular e variáveis de morbidade cardiovascular, por meio dos coeficientes de regressão e de determinação, pode-se inferir que para cada aumento de 1 ano na idade, tem-se aumento médio de 0,4% no risco cardiovascular, e para cada aumento de 1 mg/dl no HDL-colesterol sanguíneo, tem-se diminuição média de 0,5% no risco cardiovascular. De mesmo modo para cada aumento de 1 mmHg na pressão sistólica, tem-se aumento médio de 0,6% no risco cardiovascular. Não foi possível fazer a regressão linear com as outras variáveis, pois as mesmas não possuem relação linear com a variável desfecho risco%, um pressuposto essencial para a realização da regressão linear. As variáveis idade e pressão sistólica foram as que mais contribuíram para o aumento do risco. CONCLUSÃO: O trabalho conseguiu traçar o perfil clínico dos hipertensos acompanhados, com uma amostra significativa, e em sua tentativa de replicar dados encontrados pelo estudo de Framingham encontrou correlação estatisticamente significativa entre certas variáveis (HDL, idade, pressão sistólica, sexo, e diabetes mellitus). Dentre essas variáveis, aquelas numericamente quantificáveis, foram postas em correlação (regressão linear) com o risco cardiovascular, produzindo modelos preditivos que concordam com a experiência do clínico na prática.