Níveis séricos de vitamina D em mulheres menopausadas advindas da atenção primária para ambulatório especializado.
INTRODUÇÃO: A vitamina D é essencial na manutenção da homeostase óssea. É sintetizada na pele através da absorção de luz ultravioleta, havendo obtenção em menor nível pelos alimentos. Conforme o processo de envelhecimento, há alterações epidérmicas que prejudicam a síntese de vitamina D, havendo correlação linear com a queda na síntese de colecalciferol. A ausência de vitamina D provoca aumento da reabsorção óssea e eventualmente leva à osteopenia e osteoporose. Há relação entre níveis deficientes/insuficientes de vitamina D e fraqueza muscular, contribuindo para elevação do risco de quedas e fraturas ósseas, principalmente em indivíduos de baixa massa óssea. A deficiência de vitamina D é então considerada fator de risco para osteoporose, fraturas e quedas. Intervenções para adequação dos níveis de vitamina D são prescritos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das principais estratégias no combate à osteoporose no âmbito da atenção primária.
OBJETIVO: Avaliar as concentrações séricas de 25(OH) vitamina D das mulheres atendidas no ambulatório de osteoporose de Sinop-MT, buscando diagnosticar níveis séricos deficientes e sua correção.
MÉTODOS: Foram solicitadas dosagens séricas de 25(OH) vitamina D na ocasião da primeira consulta para todas as pacientes atendidas no ambulatório no período de 15/06/16 a 08/03/17. Os critérios de avaliação dos níveis de 25(OH) vitamina D basearam-se nas referências do International Symposium on the Nutritional Aspects of Osteoporosis (2015), considerando “suficiência” (valores acima de 30ng/ml), “insuficiência” (valores entre 20 e 29 ng/ml) e “deficiência” (valores menores que 20ng/ml). Pacientes dentro dos critérios de insuficiência e deficiência receberam dose de ataque semanal de 50000 UI de colecalciferol por período de 8 semanas.
RESULTADOS: A média de idade das pacientes foi de 61,4 anos, com idade mínima de 42 e máxima de 84 anos. Do total, 17,5% das pacientes (N= 17) apresentaram níveis de insuficiência (entre 20 e 29ng/ml) e 2,06% deficiência (N=2).
CONCLUSÃO: A despeito da incidência solar elevada, foram encontrados níveis importantes de vitamina D abaixo dos ótimos. Estudos realizados em território nacional obtiveram conclusões semelhantes. Tais achados reforçam outras pesquisas que não encontraram uma relação linear entre vitamina D e a exposição solar. Existe a necessidade de critérios racionais para eleger pacientes onde as mensurações séricas sejam válidas, dado que não existem evidências de benefícios com a realização de triagem universal, evitando desta maneira custos desnecessários e decisões terapêuticas ineficazes. Até o momento, dados sobre a suplementação profilática para prevenção das condições relacionadas à hipovitaminose D não apresentam resultados consistentes. Diante dos resultados obtidos, pode-se concluir que mulheres em climatério, o que representa um fator de risco para osteoporose, apresentam perfil que favorece a investigação dos níveis de vitamina D.