Favoritar este trabalho

Introdução:
Febre reumática (FR) é uma complicação não supurativa de infecção da orofaringe com o Streptococcus beta-hemolítico do grupo A. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças e adultos jovens em todo o mundo, mas é também a cardiopatia de mais fácil prevenção. Os sinais e sintomas se desenvolvem duas a três semanas após a faringite e incluem artrite, cardite, coreia, nódulos subcutâneos e eritema marginado. Não existe um sinal patognomônico da doença, entretanto, os Critérios de Jones foram elaborados para o reconhecimento da doença.

Relato de Caso:
M.V.S.M., 08 anos, previamente hígido, apresentou quadro de faringite estreptocócica sendo prescrito antibioticoterapia com aminopenicilina com adesão parcial ao tratamento. Em torno de duas semanas manifestou sintomas de reagudização do quadro fazendo uso regular da antibioticoterapia prescrita por 14 dias. Seguido uma semana do término do tratamento, apresentou poliartralgia migratória assimétrica predominantemente em grandes articulações, associado à febre e mialgia negando sintomas neurológicos, nódulos ou eritema cutâneos.
Ao exame físico REG, taquicárdico, fáscie de dor, febril, eupneico, normotenso. Ausência de alterações respiratórias ou abdominais. Presença de artrite e limitação de movimentos em articulações de MMII e sopro cardíaco holossístólico pancardíaco mais intenso em foco mitral 3+/6+. Sem edema em MMII.
Avaliação laboratorial evidenciou: ASLO: 437 UI/ml, alfa-1-glicoproteína ácida: 195,0 mg/dL, PCR: 44,80 mg/dL VHS: 76 e sobrecarga de ventrículo esquerdo leve ao ECG com radiografia torácica normal. Além disso, apresenta ao Ecocardiograma dilatação moderada de câmera esquerda, Insuficiência Mitral Moderada/Grave e disfunção leve de VE.
Visto atingido os Critérios de Jones/2015 (com dois critérios maiores: cardite e artrite migratória; critérios menores: febre, aumento do VHS, proteína C reativa, atralgia e um critério obrigatório: títulos elevados de anticorpos contra exoenzimas estreptocócicas- ASLO) foi realizado o diagnóstico de Febre Reumática e iniciado tratamento com AAS 100 mg/kg/dia, profilaxia antiparasitária para uso de corticóide, Penicilina G Benzatina 50.000 UI/kg/dose a cada 21 dias e Corticoterapia.
Em seguimento após 30 dias, apresentou normalização das provas inflamatórias VHS 15 e PCR 13,50 mg/dL, além da remissão do quadro articular. Devido comprometimento cardíaco, paciente segue em acompanhamento com cardiologia pediátrica.

Conclusão:
É de suma importância o diagnóstico precoce e tratamento adequado dos casos de amigdalite bacteriana a fim de evitar evolução para Febre Reumática e consequentemente complicações cardíacas irreversíveis, que leva a internações repetidas, intervenções cirúrgicas complexas, tratamento medicamentoso de difícil manejo, influindo na capacidade laborativa dos pacientes e gerando altos custos sociais.