Educação em saúde na adolescência: a escola como espaço de interação dialógica com acadêmicos de medicina no contexto da atenção primária
Introdução: A adolescência é um período de vulnerabilidade biológica e social, em que ações de educação em saúde são ferramentas importantes na prevenção de comportamentos de riscos e estímulo a corresponsabilização no cuidado à saúde. Objetivo: Relatar a experiência de acadêmicos do curso de Medicina na ação de educação em saúde realizada com adolescentes de uma escola pública, no município de Rondonópolis-MT. Métodos: Os acadêmicos do curso de Medicina, inseridos em uma Unidade de Saúde da Família (USF), elaboraram, juntamente com a equipe básica de saúde (EBS) e com professores da escola pública do território, um planejamento de saúde utilizando-se o método Altadir de Planificação Popular. Identificou-se como principais problemas a gravidez precoce, infecções sexualmente transmissíveis (IST’s) e depressão na adolescência. Para direcionar a ação de educação em saúde, aplicou-se um questionário semiestruturado contento questões relacionadas ao conhecimento sobre IST’s, contracepção, gravidez na adolescência e comportamento de risco para depressão, aos adolescentes do 9º e 1º anos do ensino fundamental e médio, respectivamente, da escola pública, pertencente ao território da USF. A partir do diagnóstico situacional, estruturou-se a ação de educação em saúde, focando nos principais comportamentos de risco. As atividades foram previamente agendadas com a direção da escola, sendo realizadas com três turmas de cada vez. Realizou-se palestra interativa sobre mudanças físicas, sociais, comportamentais e psicológicas na adolescência; sexualidade; profilaxia de IST’s, métodos contraceptivos, saúde mental e qualidade de vida. Durante a palestra, realizou-se dinâmicas para melhor aproveitamento da atividade e interação entre os alunos. Ao final da atividade realizou-se a uma roda de conversa, separada entre meninos e meninas, para que as dúvidas fossem esclarecidas. Resultados: Do total de adolescentes que responderam o questionário (n=106), 90,6% (n=96) apresentarem pelo menos um conceito equivocado sobre IST’s; 32,1% (n=34) possuíam vida sexual ativa; 50% (n=53) julgaram possuir de “médio” a “muito alto” o risco de contrair uma doença sexualmente transmissível, 33% (n=35) classificaram como “muito baixo” ou “baixo” o nível de abertura da família para dialogar sobre essa temática e 8,5% (n=9) avaliaram como “muito ruim” ou “ruim” sua qualidade de vida. Nas atividades de educação em saúde, os adolescentes se mostraram ativos no processo de ensino-aprendizagem, apresentaram conhecimentos prévios, porém incompletos sobre as temáticas, evidenciando a importância da educação em saúde no ambiente escolar. A roda de conversa, atividade separada entre os sexos, proporcionou um ambiente acolhedor, permitindo que se estabelecesse uma relação dialógica e de confiança entre acadêmicos de medicina e adolescentes, de modo que facilitou a troca de saberes e orientações voltadas a gestão do cuidado. Conclusão: A ação de educação em saúde tem a capacidade de contribuir na redução de vulnerabilidades com o empoderamento dos adolescentes e permitiu aos acadêmicos de medicina compreenderem a integralidade da assistência e intervirem no processo saúde-doença-cuidado, considerando os determinantes sociais da saúde na adolescência.