Doença falciforme e exercício físico: uma proposta de terapia complementar
Entre tantos desafios encontrados na Atenção Primária, destaca-se a abordagem e acompanhamento de pacientes portadores da Doença Falciforme (DF). A DF é um transtorno hematológico hereditário causado pela substituição de aminoácidos, na cadeia β da hemoglobina, caracterizado pela hemoglobina mutante S (HbS). Há alta incidência da DF no Brasil devido ao caráter genético apresentado pela descendência africana. A incidência no Brasil é estimada em 1/2700 nascidos, caracterizando 3500 novos casos de homozigose por ano. Estimativas em Mato Grosso correspondem a 1/2000, ou seja, acima da média nacional. A estimativa é que no Brasil existam cerca de 25 a 30 mil portadores da doença. Estes dados revelam a importância deste tema no meio científico e profissional, e deste modo, propostas que contribuam para a qualidade de vida dos pacientes portadores de DF são muito relevantes. Neste intuito, os objetivos deste trabalho são: 1) Realizar uma revisão bibliográfica a respeito da DF e os efeitos do exercício físico sobre estes pacientes; 2) Estudar a atual relação entre portadores da DF e a prática do exercício visualizando pontos de intervenção; 3) Propor ações que serão desenvolvidas na atenção primária, envolvendo sobretudo o exercício físico como forma terapêutica, para portadores da DF. Como metodologia, foi realizada uma revisão bibliográfica da DF e dos possíveis efeitos do exercício físico nestes pacientes por meio de bases de dados como PubMed e Google Acadêmico. Ademais, posteriormente, serão aplicados questionários para os pacientes coletando dados antropométricos, situação de saúde e práticas de exercícios, sendo valorizada sua frequência, sintomas associados e capacidade de realização. Isto baseará a definição de ações que promovam melhorias de vida para os pacientes intermediados pela prática de exercícios físicos. Até o presente momento, a revisão bibliográfica demonstrou que além das alterações fisiológicas normais da atividade física, o tipo e a intensidade desta implica alterações hemodinâmicas únicas em pacientes falcêmicos. Por exemplo, se agudo e intenso, o exercício eleva o risco de polimerização da hemoglobina S. Se leve ou moderado, pode diminuir os efeitos maléficos da doença sobre sistema cardiorrespiratório e hemodinâmico causado pela falcização de hemácias. Nesse contexto, os estudos sobre o tipo de prática física e a rotina desempenhada pelos portadores da doença estão em andamento. Prevê-se que as dificuldades de cada paciente sejam identificadas pela aplicação de um questionário e, dessa maneira, intervenções possam ser propostas. Deste modo, espera-se que os resultados obtidos pela revisão bibliográfica e pela aplicação do questionário forneçam informações específicas sobre os portadores da DF. Isso permitirá que sejam propostas ações para o incentivo a mudança dos hábitos da prática de exercício físico pelos pacientes com DF, estas ações serão tratamentos complementares incentivados pela Equipe de Saúde da Família (ESF) potencializando a melhora da qualidade de vida destes pacientes. A aplicação teórica e prática dos estudos sobre a DF deste trabalho visa aperfeiçoar a abordagem e conhecimento das ESF’s sobre os pacientes falcêmicos de Cuiabá e região. Ressalta-se que, trata-se de um projeto em andamento, sujeito a alterações para aperfeiçoamento do estudo proposto.