Avaliação antropométrica e fatores de risco de servidores municipais das Unidades Básicas de Saúde de Sinop-MT, Brasil.
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) possuem as mais variadas etiologias. Entre elas, o infarto agudo do miocárdio, o acidente vascular encefálico, o câncer, o diabetes melitus, as doenças respiratórias crônicas e a obesidade, são consideradas as principais causas de morte no mundo, correspondendo a 63% dos óbitos em 2008. No Brasil, dados de 2007 mostraram que a taxa de mortalidade por DCNT foi de 540 óbitos por 100 mil habitantes, o que representa 72% de todos os casos de morte. As DCNT são resultado da associação de diversos fatores, determinantes sociais e condicionantes, bem como riscos individuais. Se destacam os fatores de risco não modificáveis: sexo, genética e idade; e os fatores de risco modificáveis: tabagismo, alimentação, atividade física e uso de bebidas alcoólicas. Ainda no que diz respeito aos fatores de risco, se observa a hipertensão, a dislipidemia, o sobrepeso, a obesidade e a intolerância à glicose como desfecho intermediário das DCNT. O presente projeto de extensão foi realizado na cidade de Sinop, localizada ao norte do estado de Mato Grosso, a uma distância de 505 km da capital, Cuiabá. Segundo dados de 2015 do IBGE, o município possui uma população estimada de 130.000 habitantes e dispõe de 21 UBS. As ações extensionistas foram realizadas semanalmente, durante oito meses, onde membros da equipe (docente e discentes) realizaram avaliações e orientações sobre os fatores de risco cardiovasculares e avaliação do estado nutricional dos servidores municipais de 12 Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Sinop-MT. Foram avaliados 126 servidores municipais das UBS, sendo 120 (95,3%) do sexo feminino e 6 (4,7%) do sexo masculino, com idade variando entre 18 e 66 anos, e predomínio da faixa etária entre 26 e 45 anos. Os dados da análise antropométrica e da pressão arterial evidenciam que 38% servidores municipais estavam com o IMC normal, seguido de 31,8% com sobrepeso e 19,8% com obesidade grau I, sendo maior a frequência de alterações no IMC do sexo feminino. O perfil alimentar revelou que 15,9% dos servidores estão com hábitos alimentares considerados saudáveis, enquanto 73,8% deve ficar atento com a alimentação e outros hábitos, como atividade física e consumo de líquidos; e 10,3% apresentou um perfil ruim, com alta ingesta de carboidratos e lipídeos, necessitando mudar os hábitos e realizar atividades físicas. Paradoxalmente, os servidores públicos da saúde, muitas vezes, se encontram em situações inadequadas de alimentação e de hábitos de vida saudáveis, estando imersos em fatores de risco para as DCNT. Estudos revelam que nem mesmo o alto nível de instrução parece ter função protetora na adoção de estilos de vida saudável e tampouco a relação profissional com áreas da saúde mudam tais hábitos pessoais. Levando-se em consideração os fatores de risco modificáveis, estratégias podem ser tomadas afim de prevenir a incidência e diminuir a morbimortalidade dos desfechos associados às DCNT. A prática regular de exercícios físicos aliada a alimentação saudável e, o abandono de hábitos relacionados ao tabaco e bebidas alcoólicas, são preconizados para se diminuir o risco de futuras complicações.