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A utilização do mapa inteligente na ESF como um instrumento de ensino e planejamento de ações de promoção de saúde.

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Introdução: A disciplina Interação Ensino-Serviço na Comunidade (IESC), advinda das metodologias ativas utilizadas atualmente em grande parte dos cursos de medicina do país, insere o acadêmico precocemente em contato com a comunidade, os serviços de saúde, e oportuniza a observação das dificuldades reais do cotidiano dessas Unidades. Sabe-se que a carência de conhecimento territorial e epidemiológico da área de abrangência da Unidade Básica de Saúde (UBS) é um dos obstáculos para o planejamento adequado de ações efetivas de promoção de saúde e prevenção da doença. Nesse cenário, a construção do Mapa Inteligente é uma ferramenta necessária para conhecimento do processo saúde-doença dessas populações. Objetivo: Descrever a vivência dos discentes ao participar da atividade de compilação de um Mapa Inteligente, construído a partir do mapa do território e alimentado por informações geográficas, ambientais, sociais, demográficas e de saúde obtidas através do processo de territorialização, durante a disciplina de IESC. Metodologia: Relato de experiência da prática de tais mecanismos de estruturação da Atenção Básica efetuados pelos acadêmicos do primeiro semestre do curso de Medicina da Universidade do Estado de Mato Grosso, em parceria com a equipe multidisciplinar da ESF Vitória Régia presente no município de Cáceres-MT. Para tanto, os alunos foram organizados em duplas, acompanhados de Agentes Comunitários de Saúde (ACS), a fim de executar a territorialização e posterior mapeamento epidemiológico de duas microáreas dessa UBS. Resultados: A partir da realização do Mapa Inteligente, foram identificados 125 hipertensos, 26 diabéticos, 1 hansênico, 53 crianças de zero a dois anos e 9 gestantes. Desta forma, evidenciou-se, por meio do levantamento de dados, que na microárea 43 há uma maior incidência e prevalência de doenças crônicas, especialmente hipertensão, de modo que, para cada 3 hipertensos da área 42, existem 5 hipertensos moradores da área 43, aproximadamente. Com a análise dos dados sociais e epidemiológicos foi possível concluir que na microárea 43 a prevalência de hipertensos decorre de um padrão socioeconômico mais elevado, o que predispõe à uma maior ingesta de alimentos processados e ultra processados os quais são ricos em sódio, gorduras e carboidratos. Em contrapartida, a área 42 caracteriza-se por um menor nível socioeconômico da população, claramente visualizado pela carência de saneamento básico, habitações de alvenaria e ausência quase total de asfaltamento. Em reflexo disto, a microárea apresenta maior quantidade de hortas, de modo que o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados é mais evidenciado. Logo, o percentil da população que possui doenças crônicas, especificamente a HAS, apresenta-se em menor número. Conclusão: O conteúdo e a organização dos dados demográficos, epidemiológicos e sociais coletados e analisados pela ferramenta, revelam a capacidade de refletir sobre seu território de atuação. Logo, as informações desse estudo podem ser usadas pelos profissionais de saúde e acadêmicos a fim de planejar estratégias capazes de suprir as carências e demandas existentes nessa comunidade. Portanto, a realização do mapa inteligente se trata do “ver” e “vivenciar” a realidade de tal população, obtendo não somente dados estatísticos “brutos”, mas também uma visão holística e humanitária da comunidade.