Perfil de Pobreza Multidimensional para as regiões Norte e Nordeste do Brasil: uma análise com base nos microdados da POF 2017-2018

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Resumo

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo quando se trata da distribuição de renda entre seus habitantes. Essa ampla desigualdade do país se reflete também internamente, entre as suas regiões. A região Norte e Nordeste, historicamente tem se destacado pelas fragilidades e disparidades econômicas e sociais e pela necessidade de desenvolvimento, confirmando a importância do fomento às políticas públicas capazes de reduzir a pobreza.
Neste sentido, o objetivo geral deste estudo consiste em definir um perfil de Pobreza Multidimensional, para os domicílios das Regiões Norte e Nordeste do Brasil, utilizando os microdados da última POF 2017-2018. Para tanto, realiza-se a operacionalização do Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) proposto por Alkire e Foster (2011) e utiliza-se de um conjunto amplo de variáveis que captam importantes dimensões relacionadas à qualidade de vida (Renda, Capital Humano, Segurança Alimentar, Saúde e Condições de Moradia), no intuito de propiciar, assim, a definição de um perfil multidimensional mais completo para as duas regiões. Esse índice além de incorporar múltiplos aspectos relacionados as condições de vida, é ajustado para considerar, não somente a porcentagem da população que está em condição de pobreza, mas também as variações no número de privações sofridas pela população, além de fornecer a contribuição de cada dimensão para o IPM total, bem como estimativas do índice para diferentes grupos da população, isto é, das áreas rurais e urbanas, de acordo com sexo, cor e idade das pessoas de referência dos domicílios e por Unidades da Federação de cada região.
Por meio das estimativas do IPM, espera-se identificar que a Pobreza Multidimensional seja um problema mais grave nas áreas rurais e nas unidades da federação que tem nível de atividade econômica historicamente mais baixo, nas famílias chefiadas por mulheres, jovens e de cor preta ou parda. Em relação à contribuição das dimensões, espera-se que Renda, Capital Humano e Condições de Moradia sejam as que mais contribuam para o IPM. Desta forma, as informações sobre as dimensões que mais contribuem para a pobreza podem ajudar a potencializar o efeito dos investimentos sociais, abrir margem para a orientação e adoção de prioridades no âmbito de políticas públicas direcionadas ao combate da pobreza. Além disso, o IPM pode ainda contribuir para o planejamento das políticas sociais de enfrentamento da pobreza na medida em que revela a intensidade da mesma em diferentes grupos populacionais, possibilitando melhor focalização e permitindo que áreas e grupos com pobreza mais severa sejam priorizados.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de Viçosa / Universidade Federal de Viçosa / Departamento de Economia Aplicada
  • 2 Universidade de Lisboa / Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas
Eixo Temático
  • Inovação social, integração, pobreza e exclusão
Palavras-chave
Pobreza multidimensional; Região Norte; região nordeste; Pesquisa de Orçamento Familiar