EFEITOS DO AUMENTO DA CONCENTRAÇÃO DE GASES DE EFEITO ESTUFA E DESMATAMENTO NO RISCO DE FOGO NA BACIA AMAZÔNICA

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Resumo

Os incêndios na Floresta Amazônica são resultados da atividade antropogênica na região (Nepstad, 1999). À medida que a floresta amazônica se torna vulnerável ao fogo através do desmatamento e das mudanças climáticas, é imperativo entender como o risco de incêndio mudará nos próximos anos. Não apenas por seu potencial de se tornar uma fonte de carbono para a atmosfera, se queimada (Phillips et al., 2009), mas também por sua biodiversidade única e papel crítico no clima regional e global (Salati et al., 1979; Fearnside, 2021). Portanto, usamos o modelo climático regional Eta, forçado por três modelos climáticos globais (BESM, HadGEM2-ES e MIROC5), para simular dois cenários distintos: um com alta emissão de CO2 (RCP8.5-DEF15) e outro com um cenário de alta emissão de CO2 e desmatamento total da Floresta Amazônica (RCP8.5-DEFTOT). Combinando o conjunto de modelos de temperatura e precipitação, calculamos o Índice de Seca Keetch-Byram (KBDI) e o analisamos durante as estações seca e chuvosa. Em ambos os cenários, a precipitação é reduzida e a temperatura máxima é aumentada. O cenário RCP8.5-DEF15 apresenta maiores anomalias no período seco, alcançando um aumento de temperatura de até 7.5 °C na região leste da bacia amazônica. Por sua vez, o efeito na precipitação é maior no período chuvoso, chegando a reduzir 1.3 mm/dia em média. No segundo cenário estudado, as maiores mudanças ocorrem na estação seca, em relação ao experimento controle, a temperatura máxima sofre aumento de 31%, ou seja, passa de 25°C, em média, para 32.9 °C, e a precipitação reduz aproximadamente 2.1 mm/dia na estação chuvosa. Em um cenário de alta emissão de CO2, o KBDI é altamente afetado, mostrando anomalias positivas em ambas as estações, intensificando principalmente no período seco, onde nesse cenário passa a ser classificado como risco moderado de fogo. Com a adição do desmatamento, o risco de incêndio é ainda mais exacerbado, exibindo um aumento de 136% no risco de fogo no período seco, destacando assim o papel da floresta em suprimir as condições ideais para o fogo. Além disso, mais da metade da área da bacia é prevista para experimentar um alto risco de incêndio em anos extremos. Finalmente, nossos resultados enfatizam a importância de reduzir as emissões globais e o desmatamento da Amazônia, já que a atividade de fogo poderia ameaçar o futuro da Floresta Amazônica. Estes resultados, portanto, podem ser utilizados para subsidiar tomadas de decisões a partir de cenários, que apesar de hipotéticos, apresentam o importante papel de manter a Floresta Amazônica, e seus serviços ecológicos, preservados.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
  • 2 Universidade do Estado do Amazonas
  • 3 Universidade Federal do Amazonas
Eixo Temático
  • Mitigação e adaptação às alterações climáticas
Palavras-chave
Modelagem climática; Mudança no uso do solo; KBDI