Cidades inteligentes e sustentáveis enterram seus resíduos ou transformam-no em matéria-prima secundária?

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Resumo / Abstract / Resumen
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Abstract

A utilização do termo smart teve início no setor industrial para tratar da aplicação dos recursos tecnológicos contemporâneos nas indústrias, a fim de instituir smart factories e provocar a Quarta Revolução Industrial. Os dispositivos de Internet das Coisas – IoT associados a processamentos de dados em tempo real, sistemas embarcados, inteligência artificial e machine learning compõem o conjunto de tecnologias capazes de tornar os processos industriais smart (CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2021).
O termo difundiu rapidamente por diversas áreas. Vislumbrando um mercado promissor, as empresas, gigantes da tecnologia, investiram alto para que as cidades incorporassem o termo juntamente com sua infraestrutura de tecnologia de comunicação e informação. Desta forma, foi proeminente o enfoque da tecnologia para caracterização da cidade como inteligente, no primeiro momento. Diante do uso intensivo de tecnologia; marketização política do novo modelo de cidade; ineficiência apresentada em resolver os problemas urbanos; subestimação dos aspectos humanos, das dinâmicas sociais e culturais, essa conceituação foi amplamente criticada e o modelo debatido. A conclusão foi que este modelo se trata de uma cidade digital e que a smart city engloba outros elementos de extrema relevância para o ambiente urbano (CÂMARA et al., 2017; BRASIL, 2020) e “que sustentam a formação de uma cidade” (CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2021, p.18).
Após debates, estudos e considerações, a ONU (2019) lançou a Nova Agenda Urbana – NAU. O Brasil (2020), ao assumir o acordo mundial da NAU, se comprometeu em adotar a abordagem de cidade inteligente em suas políticas públicas urbanas. Para Leite (2012), a cidade é um artefato humano produto do design, ou seja, resultado do desejo, desígnio e projeto e através de um processo de projeto mais inteligente que ela vai se reinventar.
O desenvolvimento sustentável é um tema amplamente discutido, com apontamentos claros sobre quais problemas busca resolver, quais ações devem ser adotadas e quais as possíveis consequências, caso não sejam adotadas (ONU, 2020).
As smart cities estão surgindo em vários locais do mundo, a partir de terrenos vazios e nova forma de pensar e projetar o espaço urbano, estabelecendo o estilo de vida que os novos habitantes devem adotar. Mas, o que será feito das ‘velhas’ cidades, serão descartadas como lixo? O Brasil possui 5.570 municípios com 210,1 milhões de habitantes, infraestrutura e equipamentos (IBGE, 2020). Esse estilo de vida tem gerado anualmente no país aproximadamente 43,3 milhões de toneladas de resíduo sólido urbano (ABRELPE, 2020).
A gestão Integrada de Resíduos Sólidos - GIRS é formada por um conjunto de instrumentos que quando aplicados de forma integrada tem a capacidade de resolver o problema complexo que é a destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos urbanos de forma inteligente e sustentável (BRASIL, 2010).
O problema neste início de século não é mais de técnica, tecnologia ou design, mas de natureza político-ideológica. Somos capazes de produzir a solução para praticamente todos os problemas da humanidade. A questão é de decisão coletiva [...] o problema não é de design individual (caro, elitista, fashion), mas de design massivo (coletivo, inteligente, estratégico) (LEITE, 2012, p.35).

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Institutions
  • 1 Universidade Federal de Minas Gerais / Departamento de Tecnologia da Arquitetura e do Urbanismo
Track
  • Smart and Sustainable Cities
Keywords
Cidade inteligente; Cidade sustentável; Gestão de Resíduos; Planejamento estratégico