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TEZZA: ALÉM DA CORAGEM

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Sob a luz de teorias pós-estruturais e também de interpretações narratológicas, analisaremos o romance de Cristóvão Tezza, “O filho eterno” (Prêmio Jabuti de 2008) no modo com o qual reprocha manifestações de efeitos de poder em uma sociedade diferenciadora. Para além de hipóteses puramente confessionais, reprocharemos aquilo que se comentou, na crítica, como sendo uma dada "coragem" de Tezza ao expor-se um pai cruel e um artista ambicioso ante a infância diferenciada de seu filho Felipe, portador de Síndrome de Down. A hipótese meramente adjetivista deste ser um "livro corajoso", colocada anonimamente na orelha é questionada por Marina Barbosa Almeida. Pensamos que, mais do que uma audácia pessoal de resgatar uma memória delicada, temos, em si mesma, uma ficção de risco que acede à estilística tezziana, por exemplo por ordem das técnicas composicionais com as quais o autor costuma amoldar seus protagonistas imersos às problemáticas subjetivas com a sociedade competitiva/capitalista, bem como outros temas como a arbitrariedade da memória e o humor negro que dá convergência a certos estereótipos. Notaremos semelhanças com, por exemplo, “Breve Espaço entre cor e sombra”, quais sejam: o drama de genialidade e a crítica à situação histórica da arte como um maquinário de concorrências pessoais.