Resistência Linguística no Rastafári
Partindo de Chapman (2006), linguista inglesa que diz que a linguagem influencia aquilo que pode ser expresso pelo indivíduo e até mesmo a sua realidade social, ou ainda a partir de Wittgenstein (1921), filósofo austríaco que diz que os limites da linguagem são os limites do mundo, busca-se analisar a construção linguística idiossincrática do movimento rastafári no Caribe como forma de resistência e criação de identidade. Nettleford (1970), estudioso e crítico social jamaicano, argumentava que o movimento rastafári, na busca por autoafirmação, vai além da adaptação; segundo ele, trata-se de uma verdadeira criação linguística. Edmonds (2003), teólogo jamaicano, concorda com isso e afirma que esse é um artifício utilizado como afronta aos padrões sociais da época: como falar o “inglês correto” é o mínimo para ser aceito na sociedade, os rastas (integrantes do movimento rastafári) decidem desconstruir esse símbolo tão valioso e criar algo diferente a partir disso, algo que represente melhor sua percepção da realidade. A linguagem em si é abordada sob a ótica de Pollard (1984, 2000), poeta e linguista jamaicana que a chama de Dread Talk. Será utilizado o poema Mabrak de Bongo Jerry (1971) para a análise.