Os antropófagos da Poesia Marginal
Resumo: Este artigo tem como objetivo resgatar e explicar o conceito de antropofagia proposto por Oswald de Andrade na década de vinte, especialmente em seu Manifesto Antropófago. Visa-se a retomada dessa antropofagia inicial, para a que ocorre na década de setenta com a Poesia Marginal, atentando para suas semelhanças e diferenças. Pretende-se explicitar qual a relação que os poetas marginais fazem com os ideários modernistas da primeira fase, e como Oswald de Andrade vem sendo atualizado através dos tempos. Para que esse resgate da antropofagia oswaldiana ocorra, também propõe-se discutir em que medida nós nos relacionamos com os princípios antropofágicos em pleno século XXI, conforme a visão de João Cezar de Castro Rocha (2011). É importante ressaltar que em relação às questões de forma e conteúdo, a poesia marginal, em um primeiro momento, parece resgatar os versos irônicos, sem métrica e rima apresentados pelos escritores que reformularam a literatura brasileira na Semana de Arte Moderna, de 1922, porém constata-se com Heloísa Buarque de Hollanda, Ana Cristina César e Paulo Leminski que os poetas marginais foram além da perspectiva plantada pelos modernistas heroicos.