O QUE AS EMOÇÕES E SENTIMENTOS TÊM A NOS DIZER SOBRE A (COMPLEXIDADE DA) INTERPRETAÇÃO HUMANA
O estudo das emoções e sentimentos remonta aos gregos e latinos, sendo que no final da década de 80 do século XIX e início do século XX, os estudos da mente ganharam terreno e se fixaram no âmbito da Filosofia, da Biologia e da Psicologia. As emoções, no entanto, permaneceram obscuras à ciência cognitiva, principalmente na era behaviorista, uma vez que os psicólogos de plantão estavam mais interessados nos estudos na psicologia experimental, que, geralmente, consistia em analisar dados verbalizados pelos pacientes. Na década de 90 foram publicadas três obras cruciais, que impulsionaram as investigações sobre a mente e emoções: O erro de Descartes, de António Damásio (1994), Inteligência Emocional, de Daniel Goleman (1995) e O cérebro emocional, de Joseph Ledoux (1996). Tomando como referência Damásio (1994), o objetivo traçado para este estudo é, a partir dos conceitos da Teoria da Relevância (SPERBER; WILSON, 1986/95), advogar em favor de uma hipótese de integração mental que congrega razão, emoções e sentimentos na interpretação de enunciados conversacionais. A conclusão em evidência é a de que na interpretação de enunciados conversacionais, a relevância não pode ser só produto da razão, mas é também, em alguma medida, derivada das emoções e sentimentos.