O kitsch totalitário e a literatura de Milan Kundera como expressão de resistência
O livro "A insustentável leveza do ser" de Milan Kundera carrega consigo grande sentimento de resistência, tanto do autor que vivenciou a opressão do regime socialista soviético, como os seus personagens fictícios que protagonizam o livro. Contextualizado na Primavera de Praga, a trama é contrária ao kitsch, que simboliza a padronização da sociedade e das pessoas, a exclusão de tudo que a existência humana tem de essencialmente inaceitável. Assim, no kitsch totalitário tudo que ameaça esse status de perfeição e unidade é banida, toda manifestação de individualismo, expressão erótica, entre outras formas de liberdade. O cerne da crítica de Kundera ao regime socialista soviético, não ao comunismo, ante o sentimento de derrota de seu país quando Dubcek retorna humilhado em obediência ao controle russo e os tanques invadem a cidade, reside na denúncia de que o Kitsch esconde o lado sombrio do referido regime. A partir da análise da obra literária juntamente com seu contexto histórico, o artigo visa compreender como o autor propõe um meio para deflagração de sua liberdade individual, utilizando-se da expressão literária erótica e filosófica, questionando o leitor quanto ao peso e a leveza do ser, quanto ao eterno retorno de Nietzsche e as fugas humanas.