“EU VOU MORRER ASSIM” – A MEMÓRIA PATERNA COMO CONSTITUIDORA DE IDENTIDADES EM NARRATIVAS DE UMA PROFESSORA
O presente trabalho analisa o processo de rememoração e as relações identitárias construídas na narrativa de uma professora que lecionava durante o período ditatorial no Brasil. Para alcançar este objetivo, faz-se o uso das ordens de indexicalidade como instrumentos de análise, bem como as ferramentas teórico-metodológicas de memória e identidade social. Neste estudo, compreende-se que rememoração significa uma constante reconstrução performativa de experiências vividas. Assim, um indivíduo exprime os conhecimentos de seu passado, atribuindo, por vezes, novos significados de acordo com o momento de recordação. Nesse sentido, faz-se importante ressaltar que esta pesquisa, de cunho qualitativo, se estabelece no campo da Linguística Aplicada, considerando a linguagem como performativa, compreendendo-se os sujeitos como constituídos em suas performances discursivas. Os resultados iniciais apontam que as lembranças do pai da professora são o ponto central da narrativa, no sentido de que, a partir delas a narradora se posiciona de maneira a construir seu eu. De fato, as identidades de ambos os indivíduos estão totalmente relacionadas, visto que a professora, na sua narrativa, refere-se ao pai já falecido, usando um verbo flexionado no tempo presente do indicativo. Além disso, as representações evidenciadas são colocadas como justificativa para atos proferidos por ela no testemunho.