ESPAÇO E LITERATURA: ENCONTROS EM O CORCUNDA DE NOTRE DAME
Não é de hoje que relações entre Literatura e Arquitetura são exploradas por estudiosos de diferentes áreas do conhecimento. Tais práticas, cada uma a seu modo, buscam relatar o espírito de seu tempo, testemunhando, em papel ou pedra, as memórias de sua época.
Em seu romance de estreia O Corcunda de Notre Dame, Victor Hugo estabelece essas relações dentro do corpo da narrativa, explorando espaços arquitetônicos e urbanos e potencializando seus efeitos nas personagens.
O objetivo desta comunicação é sugerir que a obra hugoana, embora contenha fatos históricos e demonstre grande erudição arquitetônica, não deve ser lida apenas com esse foco. Ao contrário, tais fatos e descrições espaciais somente são úteis à narrativa à medida que permitem seu desenvolvimento, e, que, numa leitura menos superficial, revela-se também, como instrumento de teorização. A fim de embasarmos nossa análise, faremos uma breve exposição teórica acerca dos conceitos de espaço, para assim apontarmos as relações possíveis entre literatura e espaço arquitetônico. O fato de não haver uma definição unívoca e definitiva para a ideia de espaço, uma vez que é, ao mesmo tempo concreto e abstrato, relativo e absoluto, faz com que a literatura seja uma forma interessante de representá-lo, e, também, analisá-lo.