Ecos do trauma em Moacyr Scliar
À luz do conceito de trauma e de suas relações com a história e a identidade judaicas, o presente trabalho pretende lançar um olhar sobre os quatro primeiros romances de Moacyr Scliar: A guerra no Bom Fim, O exército de um homem só, Os deuses de Raquel e O ciclo das águas. Identificada com narrativas que tematizam a experiência judaica, especialmente no Rio Grande do Sul, a produção ficcional de Moacyr Scliar não se restringe a esse tema. No entanto, o judaísmo e os judeus são o fulcro de seus primeiros romances, uma sequência que veio a lume num espaço de três anos com uma intensidade até então inédita na literatura brasileira. Em que sentido a memória, a história e a imaginação confluem para elaborar a experiência do trauma de um povo que tem sido particularmente vítima de uma série de perseguições, e como essa confluência é configurada de maneira específica na obra do autor gaúcho, é o objeto dessa comunicação. Para tanto nos serviremos sobretudo dos trabalhos de Márcio Seligmann-Silva sobre memória, história e suas interfaces com a literatura do trauma e do testemunho, com o fito de lançar luz sobre facetas insuficientemente exploradas na obra de Scliar.