Duas vezes junho de Martín Kohan: uma ficção metahistórica carnavalizada
O objeto de estudo deste trabalho é o romance Duas vezes junho do escritor Martín Kohan, que retrata a ditadura militar argentina vigente entre 1976 e 1983, numa obra cujas características aproximam-se da ficção metahistórica, originada na obra O reino deste mundo do escritor cubano Alejo Carpentier, desenvolvida como forma de representação do passado histórico vivenciado particularmente pelos povos latino-americanos. Além disso, o autor escolhe como narrador o ocupante de uma posição subalterna na hierarquia do regime ditatorial em detrimento de alguma figura histórica famosa. Pretende-se também identificar as características estéticas que estão relacionadas com o conceito bakhtiniano de carnavalização e contextualizar Duas vezes junho em relação ao momento histórico vivenciado pela sociedade argentina, considerada altamente escolarizada e ativista. A obra foi publicada no Brasil em 2005 pela Amauta Editorial com tradução de Marcelo Barbão, numa tiragem de 500 exemplares, porém a editora entrou em recesso e atualmente é possível adquiri-lo apenas em sites de vendas de livros usados, pelo triplo do preço em comparação a um exemplar novo à época do lançamento, conferindo à obra um caráter de raridade.