Da praça pública para o ciberespaço: o discurso do MST em tuitaços
Por meio da análise dialógica do discurso, este trabalho tem como objetivo identificar, analisar e compreender como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ao apropriar-se de novas tecnologias informacionais/comunicacionais, constrói um discurso de oposição aos grandes meios de comunicação. Para tanto, são analisados textos-enunciados produzidos pelo MST em seu perfil no Twitter quando da participação nos “tuitaços”. São objeto de estudo enunciados (postagens) em dois “tuitaços” dos quais o Movimento participou entre janeiro e julho de 2016: “contra o oligopólio da mídia” e “em defesa da reforma agrária”. O trabalho ancora-se, teoricamente, na concepção de linguagem elaborada pelo Círculo de Bakhtin. Recorre ainda, entre outros autores, a Jesús Martín-Barbero (2003 e 2005) e Venício Lima (2004 e 2006) para as referências em comunicação, e em André Lemos (2015) para questões relacionadas ao ciberespaço. Entre outras regularidades, constatou-se a migração apontada por Bakhtin (1993 [1965]) em François Rebelais do vocabulário da praça pública (para, no caso, o ciberespaço); o reenquandramento de vozes e discursos outros – oficiais, predominantemente - e discurso de contestação ao oligopólio empresarial da mídia.