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DA EXCENTRICIDADE PÓS-HUMANITÁRIA DE GOLGONA ANGHEL

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Abordamos a obra “Vim porque me pagavam”, da poeta contemporânea Golgona Anghel, natural da Romênia e residente há bons anos em Portugal. Pensamos em sua herança literária, cultural e estilística. Uma poesia que representa o mundo globalizado e excêntrico de sua geração. O desapego da poeta, como predadora dos campos do presente, é tentativa de desapego também de sua herança humanista, ao mesmo tempo em que se volta de imediato ao cânone lusitano, ao realismo, à sátira, à caça de conquista do contemporâneo, à representação. A poetisa concebe seu desapego, sua casualidade sob uma criação excêntrica que revela, por sua vez, a excentricidade gasta do próprio humanismo. Dentre as análises do trabalho, pontuamos a investigação das desterritorializações experimentais de seu trabalho na comparação com outro poeta lusitano que a influencia muito, Al Berto. Como acadêmica deleuzeana, a própria poeta investigou tais questões em Al Berto e acabamos por notar influências várias neste sentido, onde o tempo presente, por vezes, advém como devir-monstruoso. Anghel, por sua vez, abusa de um realismo auto-sarcástico e põe-se como produto poético de uma sociedade pós-humanitária, ou ao menos, uma sociedade mundana/mercantil, onde a sedução superficial suplanta antigos valores humanistas.