Da Autoria de Mulheres Negras – Que diferença isso faz?
O debate acerca de reconhecer-se/ser reconhecida como escritora-mulher/ mulher-escritora não é novidade no campo dos estudos feministas. Pelo menos, desde meados dos anos 80, a questão tem merecido a atenção tanto de críticas feministas quanto de escritoras, das mais variadas origens e posições, sociais e geográficas. (MOI, 1985, 2008; ANZALDÚA, 1987; MINH-HA, 1989; FELSKI, 1989, 2003; DAVIES, 1994; ATWOOD, 2010). Longe de querer ver na autoria de mulheres, mais especificamente, de mulheres negras, quaisquer essencializações que poderiam derivar de se tomar o gênero e/ou raça e etnia como categoria de análise literária, este trabalho reflete sobre o valor dos estudos sobre a autoria de mulheres negras, tendo como fundamento uma vontade de saber da inter-relação entre textos, arte, cultura e mudança social. É ao tomarmos a literatura como um campo de poder/saber e reconhecermos que os discursos funcionam no mundo social como dispositivos de controle dos sentidos, regulando a ordem do discurso, que se torna evidente a importância de se pensar especificamente a participação das mulheres negras como produtoras culturais e de literatura no estabelecimento, consolidação e/ou contestação dos discursos sociais e culturais hegemônicos, principalmente aqueles que tangem a construção de identidades sociais e culturais.