Apocalipse Now: o cinema americano e o sonho de Paulo Leminski
No vídeo documentário Ervilha da Fantasia – uma ópera Leminskiana (Schumann, 1985) Paulo Leminski (1944/1989) declara que tudo que aprendeu sobre a vida foi no cinema e que metade de sua vida é cinema americano; menciona Marlon Brando (1924/2004), afirma sonhar sonhos dirigidos por Francis Ford Coppola (1939) e cita o filme Apocalipse Now (1979). Busco analisar criticamente, no antológico filme inspirado na novela Coração das Trevas (Conrad, 1857/1924), elementos que dialoguem com a poética de Leminski e propor, a partir de tais constatações, questões relevantes para a reflexão acerca de leitura de imagens e de problemas socioculturais. Pergunto, portanto, quais seriam os possíveis modos de articulação de sentido entre as declarações de Leminski, a adaptação cinematográfica realizada por Coppola e a problemática da percepção da vida na contemporaneidade. A ideia de contemporâneo, como o escuro de seu próprio tempo, tem bases em Agamben e a abordagem sobre cinema se estrutura em textos de Morin, para quem cinema e sociedade apresentam relações intercambiantes. Questões concernentes à adaptação fílmica se ancoram em Bazin, Stam e Hutcheon, unânimes em afirmar que adaptar ou traduzir é criar uma nova obra que potencializa ainda mais sua fonte.