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Acenos e afagos, de João Gilberto Noll: corpo grotesco ou corpo sem órgãos?

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O presente artigo analisa o romance Acenos e afagos (2008), de João Gilberto Noll, à luz tensional de dois conceitos de teóricos distintos: o corpo grotesco formulado por Mikhail Bakhtin, especialmente em Cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais (1999), e o corpo sem órgãos, conceituado por Gilles Deleuze e Félix Guatarri, por exemplo em O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia I (2011). Quando se analisa o todo romanesco de Noll, percebe-se uma intensa problematização das representações da sexualidade, exemplificadas nos destinos esvaziados e aleatórios de seus heróis. Um niilismo latente envolve a atmosfera sufocante em que os protagonistas deambulam. Dentre esses romances, Acenos e afagos destaca-se como sendo o mais experimental, o que mais desafia a ordem dos sexos, os limites físicos e identitários que se vinculam à anatomia dos seres. Indubitavelmente, entre os doze romances do escritor gaúcho, este é o que leva ao limite uma estética iniciada com A fúria do corpo (1989). Uma análise que busque dar conta de tal representação corporal trará, é o que almejamos, problematizações que ampliam sobejamente a exegese da obra romanesca de Noll.