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A herança da representação: escrita e pontuação na BNCC

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Uma abordagem que leve a sério a posição de que as diferentes práticas de linguagem devem ser trabalhadas na escola exige deslocar o lugar da gramática normativa, mas isso implica ter consciência do seu legado sobre a natureza da relação entre a fala e a escrita, segundo o qual esta é uma representação daquela. Diante disso, este trabalho propõe-se a analisar a concepção de escrita e de pontuação que prevalece na Base Nacional Comum Curricular a fim de verificar se esta contribui para o referido deslocamento, bem como para um melhor entendimento da natureza da escrita e, consequentemente, da relação entre a fala e a escrita. Considerando que a Base vem a público praticamente duas décadas desde a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, procura-se observar também os pontos de convergência e/ou divergência entre os dois documentos. Para tanto, parte de uma discussão sobre a origem e desdobramentos da visão representacionista da escrita, baseando-se na visão de autores que entendem que, ainda que o falado e o escrito se influenciem mutuamente, a escrita tem o seu modo de funcionamento específico, seu próprio ritmo, que é marcado pela pontuação.