A ESQUIZOPRESENÇA NAS PEÇAS DO TAANTEATRO
O objetivo deste estudo é refletir teoricamente sobre os pressupostos estéticos, artísticos, literários, cênicos, performáticos do Teatro da Crueldade, proposta artístico-teatral tencionada pelo poeta, dramaturgo e teórico francês Antonin Artaud, a qual sugeria uma ruptura com o modelo tradicional textocêntrico de teatro que era desenvolvido na Europa no começo do século XX. Artaud nunca levou aos palcos efetivamente essas ideias, senão por algumas tentativas frustradas de realização, mas deixou inúmeros textos teóricos, cartas, ensaios, desenhos que sustentam e direcionam uma performance corporal esquiza e avessa às convenções não só teatrais, mas também sociais. Com base nisso, este estudo busca analisar como as ideias Teatro da Crueldade, especificamente a noção Corpo sem Órgãos, foram apropriadas e performatizadas (quando possível) nos trabalhos do Grupo Taanteatro (São Paulo) que, a partir das teorias de Artaud, desenvolveu uma proposta cênica chamada de Esquizoprença em seu projeto cênico de 2015 e 2016. Para essas análises, tomo por base as discussões de Gilles Deleuze e Félix Guattari (1995; 2010; 2012), que contribuíram significativamente para um possível entendimento da proposta artístico-literária de Antonin Artaud, considerando sua condição de esquizofrênico em meio a uma sociedade capitalista despótica, representada pelas cruéis práticas psiquiátricas do século XX.