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A escrita de si na produção de José Carlos Oliveira

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Este trabalho tem por objetivo analisar a produção do escritor capixaba José Carlos Oliveira em uma perspectiva autoficcional. Diversos autores usaram de suas experiências pessoais ou de suas próprias autobiografias para criar histórias romanescas, porém, como sugere Philippe Lejeune, o que classifica um texto como sendo uma autobiografia seria a conexão com o nome próprio, ou seja, narrador e autor devem possuir o mesmo nome, o que era regra antes do romance O pavão desiludido (1972) de José Carlos Oliveira, que questiona os limites da verdade factual em textos memorialísticos. Ao contrário da biografia, que procura retratar com pretensa lealdade os fatos narrados, a autoficção não possui esse compromisso, pois trata-se de um gênero híbrido em que se mesclam autobiografia e ficção a partir da suspeição do que lembramos de outros tempos. Vemos que a memória aliada à imaginação dão concretude aos escritos de José Carlos Oliveira. Se a memória está no terreno da autobiografia, que trabalha com o princípio (suspeito) de verdade e a invenção está no terreno do romance, ao afirmar que a memória tem que ser ficção, e vice-versa, José Carlos Oliveira partilha uma constituição de escrita que pertence à autoficção.