A DOCILIDADE COMO IDEOLOGIA NO CURRÍCULO DO NOVO ENSINO MÉDIO
A escola não é escola para ensinar uma porção de técnicas de interesses do setor privado, a escola é escola para engrandecer seus sujeitos através de seu conjunto de propostas curriculares que somadas devem emancipar nossos alunos enquanto cidadãos. O atual contexto histórico brasileiro indica, através da implantação do novo currículo para o ensino médio, a supressão do valor da escola como espaço para a construção do conhecimento, em situação de igualdade e assim garantir aos alunos, em especial os de classes menos favorecidas, o acesso ao conhecimento científico e as reflexões filosóficas, como asseveram as diretrizes curriculares do estado do Paraná (DCE, 2008). O presente trabalho visa identificar e refletir através da comparação, entre os currículos do ensino médio, os elementos de caráter neoliberais, que visam promover o que Ball (2014) chama de docilidade. Para o autor, os governos neoliberais afrontam as subjetividades, destituem qualquer prática institucionalizada e fortalecem a economia para uma mínima parcela da população que detém em suas mãos a política e a governabilidade do Estado. Assim, pode-se dizer que esta é uma ação neoliberal sob o pretexto ser o novo ensino médio que garante ao governo e ao mercado uma sociedade dócil.