A construção da ponte do rio Jaguaricatu: linguagem, subjetividade e identidade
Com base em uma perspectiva de linguagem entendida como interação (VOLOSHINOV, 1997), o objetivo deste trabalho é analisar os signos, suas tonalidades ideológicas e sua participação na (re)construção das subjetividades e identidades no processo interacional no qual estão situados, em uma Carta Oficial do século XIX, do município de Castro/PR, a qual trata da construção da ponte do rio Jaguaricatu. Fazendo um paralelo entre a construção física da ponte, a qual, obviamente, necessita de dois polos para ser construída, assumimos que a linguagem, a subjetividade e a identidade também são espécies de “ponte”, uma vez que precisam do “outro” – do outro sujeito – para se firmar. Compreendemos, pois, que, nesse momento de interação, o sujeito realiza escolhas linguísticas, considerando quem é o seu interlocutor e os contextos sócio-históricos mais imediatos e mais amplos em que ambos estão situados. Estas escolhas não são de forma alguma neutras, mas ideológicas, já que os sujeitos envolvidos na interação são orientados por conjuntos de valores. Em relação à linguagem, baseamo-nos nas postulações do Círculo de Bakhtin. No que diz respeito à subjetividade, partimos dos estudos de Moita Lopes (1998) e Bakhtin (2000). Para a identidade, destacamos Hall (1999) e Woodward (2000).