A Bagagem de Adélia: constituindo um sujeito-mulher
Quando Adélia Prado publicou o seu primeiro livro, Bagagem, no ano de 1976, ela já contava com seus 40 anos e era mãe de cinco filhos. Nessa época, a voz feminina encontrava apoio em poetas consagrados, como foi o caso da poetisa, tendo sua obra lida e recebida, com empolgação, por Carlos Drummond de Andrade. Contudo, muito embora a mulher tivesse o seu espaço nas letras, a temática de sua poesia ainda apresentava raízes de uma sociedade patriarcal e impositiva. Neste recorte, realizaremos a leitura e análise poética da trajetória feminina, em sua constituição subjetiva, partindo de um universo limitado a um espaço maior de aceitação, não somente da mulher diante da sociedade, mas, principalmente, da mulher diante de si mesma. Para tanto, selecionamos, da obra supracitada, cinco poemas relacionados ao tema, a saber: “Metamorfose”, “Endecha das três irmãs’, “Psicórdica”, “Enredo para um tema” e, por fim, o poema de abertura , “Com licença poética”. Percebe-se que, no conjunto poético, a autora nos mostra uma mulher, em suas diversas faces, que assume a sua postura, em cada uma delas, como parte importante de sua história e luta libertária.