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Arte é o que eu e você chamamos arte[1], em referência ao título do livro de Frederico Morais, é um trabalho que intenciona práticas coletivas e processuais durante o período do “XIII Congresso Internacional do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte”. Como artistas visuais, nos colocamos a pensar sobre o formato de produção e apresentação dos trabalhos de arte, frequentemente individuais, vinculados às linguagens tradicionais da arte e pouco compartilhados.
Em A partilha do sensível (2005)[2], Jacques Rancière propõe a formação da comunidade por meio da convivência comum do que é particular. Neste dar-se tempo e espaço[3] para a elaboração de experiências, “a arte, tanto quanto os saberes, constroem ‘ficções’, isto é, rearranjos materiais dos signos e das imagens, das relações entre o que se vê e o que se diz, entre o que se faz e o que se pode fazer”[4].
Desse modo, quais as possíveis ações do público neste espaço expositivo? Quais outros gestos são possíveis nos espaços institucionais da arte? Pensando nisso, o trabalho se dá pelo convite à construção coletiva de arquivos de objetos pessoais em diversos contextos da arte. A obra é composta por dois pallets, que configuram uma base de apoio para o depósito dos objetos, e a instrução “Deixe aqui um objeto pessoal. Ele integrará o arquivo do trabalho Arte é o que eu e você chamamos arte”.
O Arte é o que eu e você chamamos arte é um trabalho coletivo das artistas Latife Hasbani e Roberta Naufal, que propõem a criação de arquivos de objetos formados pelo público que frequenta os diversos espaços institucionais da arte, entendendo os objetos como indicadores de contextos sociais e históricos, em suas duplas condições, de instrumento e de signo (Baudrillard, 2009)[5].
[1] MORAIS, Frederico. Arte é o que eu e você chamamos arte: 801 definições sobre arte e o sistema da arte. Rio de Janeiro: São Paulo: Record, 1998.
[2] RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. São Paulo: Editora 34, 2005.
[3] BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Rev. Bras. Educ. [online]. 2002, n.19, pp. 20-28. Disponível em: <http://educa.fcc.org.br/pdf/rbedu/n19/ n19a03.pdf>.
[4] (RANCIÈRE, 2005, p. 59).
[5] BAUDRILLARD, Jean. O sistema dos objetos. Ed. 5 São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.
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