ENVELHECIMENTO, AUTOIMAGEM E MEMÓRIA CORPORAL: ANÁLISE TEMÁTICA DE NARRATIVAS DE TRAVESTIS NO NORDESTE BRASILEIRO

CIAIQ2026 - 337989
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Resumo

Introdução: O envelhecimento de travestis e mulheres trans ocorre em contextos marcados por desigualdades sociais, violência de gênero e acesso precário ao cuidado. Ainda são escassos estudos qualitativos que explorem como essas pessoas narram as transformações corporais ao longo do tempo, especialmente no que se refere à autoimagem, à relação com o espelho e às marcas deixadas por intervenções corporais realizadas em contextos de vulnerabilidade.

Objetivos e Métodos: Este estudo teve por objetivo analisar como travestis e mulheres trans com 50 anos ou mais, residentes no Nordeste brasileiro, experienciam, negociam e atribuem sentidos às transformações corporais no envelhecimento. Trata-se de investigação qualitativa, de caráter interpretativo, ancorada no construcionismo social e na gerontologia crítica. Foram realizadas 18 entrevistas em profundidade, conduzidas com roteiro semiestruturado, abordando trajetória de vida, autoimagem, espelho, modificações corporais, cuidado e envelhecimento. O material foi submetido à análise temática reflexiva, com apoio do software Atlas.ti para organização do corpus, codificação, memos analíticos e rastreabilidade interpretativa.

Resultados: Os achados indicam que a autoimagem na velhice não se reduz à aparência, mas constitui uma negociação social e corporal atravessada por temporalidade, memória, dor, reconhecimento e dignidade. O espelho apareceu como dispositivo ambivalente de autoavaliação, confronto e aceitação; hormônios e silicone industrial reapareceram como legados materiais de processos anteriores de feminização, marcados por precariedade e sofrimento; partes específicas do corpo concentraram valor simbólico, vergonha e legitimidade; e redes relacionais, ativismo e espiritualidade emergiram como suportes importantes para o enfrentamento cotidiano.

Conclusões: O estudo evidencia a potência da investigação qualitativa para compreender o envelhecimento como processo corporificado e socialmente produzido. Ao articular autoimagem, memória corporal e cuidado, os resultados ampliam a compreensão sobre saúde, dignidade e sobrevivência entre travestis e mulheres trans mais velhas.

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Instituições
  • 1 Universidade de Fortaleza (UNIFOR)
  • 2 Centro Universitário Fanor Wyden
Campos de aplicação
  • 2 - Investigação em Saúde
Palavras-chave
autoimagem
envelhecimento
memória corporal
travestis
desigualdades sociais