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Introdução. A década de 1990 foi um período transformador para a educação inclusiva no Brasil com a promulgação de legislações como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-LDB (Brasil, 1996) e a Política Nacional de Educação Especial-PNEE (Brasil, 2008). Essas iniciativas estabeleceram a base para o acesso da pessoa com deficiência no ensino superior, promovendo princípios de igualdade, equidade e diversidade. Com o aumento do acesso à educação básica, mais pessoas com deficiência começaram a ingressar nas universidades. No entanto, o desafio vai além do acesso físico. É essencial a garantia da participação ativa desses estudantes no ambiente universitário e a efetiva apreensão de conteúdos e conhecimentos. Isso requer acompanhamento contínuo e a implementação de estratégias que atendam às diversas necessidades dos estudantes, promovendo um ambiente educacional que potencialize seu aprendizado (Tomelin. et al., 2018). Neste contexto, a presença de pessoas com deficiência em diferentes esferas sociais tem se ampliado nas últimas décadas, impulsionada por políticas públicas que promovam a equidade e o direito à inclusão. Entretanto, práticas educacionais ainda permanecem pautadas em modelos excludentes, ao desconsiderarem a necessidade de adaptações pedagógicas e estruturais nos ambientes de ensino. Assim, a universidade assume papel estratégico na consolidação de práticas inclusivas e no fortalecimento da formação docente voltada à diversidade (Pimentel et al, 2025).
Objetivo. Relatar a experiência de uma Roda de Conversa sobre o tema “Fortalecimento da formação docente e profissional voltada à diversidade e à inclusão” em uma disciplina de Educação Permanente em Saúde (EPS) do Programa de Pós-Graduação Ensino em Ciências da Saúde (Mestrado Profissional) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), campus São Paulo.
Reflexão da Experiência. A Roda de Conversa teve como objetivo promover a reflexão crítica sobre a importância da diversidade e da inclusão na formação docente e profissional em saúde, analisando estratégias pedagógicas que contribuam para práticas educacionais mais equitativas, inclusivas e socialmente comprometidas. A atividade compôs a planejamento da disciplina de EPS do Mestrado Profissional Ensino em Ciências da Saúde do campus São Paulo da UNIFESP. Participaram da atividade sete mestrandos de diferentes categorias profissionais: medicina de família e comunidade (2), psicologia (2), serviço social (1), enfermagem (1) e Tecnólogo em Radiologia (1) e duas docentes. A Roda de Conversa teve início com um caso disparador: “Em um curso da área da saúde, uma estudante com deficiência auditiva relata dificuldades para acompanhar aulas expositivas. Outro estudante indígena menciona que exemplos e conteúdos trabalhados em aula ignoram contextos socioculturais de sua comunidade. Alguns docentes afirmam que não receberam formação para lidar com essas situações”. E seguiu com as perguntas disparadoras para reflexão e introdução ao tema com os mestrandos: Que tipos de barreiras estão presentes nesse cenário? Quais responsabilidades são do docente? Que responsabilidades são da instituição? Após esse momento, os mestrandos foram motivados a dialogar sobre: A formação em saúde prepara docentes/profissionais para lidar com a diversidade? Que desafios foram vivenciados em relação à diversidade no ensino e/ou no cenário do trabalho em saúde? Após o debate orientado pela discussão do caso e pelas questões disparadoras, um breve conteúdo teórico foi apresentado abordando temáticas relevantes, como: Educação inclusiva no Brasil; Inclusão no ensino superior; diretrizes do Ministério da Educação para o ensino superior que reforçam a importância de políticas de apoio a docentes e discentes que refletem um compromisso com a inclusão; A nova legislação de inclusão educacional no Brasil de 2026; Acesso e permanência; Planejamento educacional individualizado; Núcleos de acessibilidade; e aspectos que as Instituições de ensino superior devem garantir: matrícula sem discriminação; adaptações razoáveis no ensino, avaliação e currículo; acessibilidade física, digital e pedagógica; recursos de tecnologia assistiva; e, o debate sobre o papel do docente/profissional dos serviços de saúde como agente fundamental para construir ambientes inclusivos, reconhecer diferenças como parte da formação, problematizar desigualdades sociais no ensino; e, promover a aprendizagem e o cuidado de qualidade. A roda de conversa foi finalizada com a seguinte indagação: O que aprendemos com essas reflexões?
Reflexão sobre a experiência. A Roda de Conversa sobre o fortalecimento da formação docente e profissional voltada à diversidade e à inclusão possibilitou um momento inovador e potente entre os mestrandos. O caso inicial gerou um debate rico com reflexões sobre a formação em saúde, a prática profissional, a formação centrada na pessoa, e, proporcionou o relato de experiências e vivências entre os mestrados e as docentes presentes. A abordagem teórica revelou-se fundamental, pois possibilitou o alinhamento conceitual indispensável à compreensão da temática. Conceitos como: Diversidade, Equidade e Inclusão geraram um diálogo rico com exemplos das práticas profissionais e da formação em saúde. Também se abordou sobre o combate ao capacitismo, a obrigatoriedade do Plano Educacional Individualizado (PEI) e o uso de recursos de tecnologia assistiva, aspectos estes que se mostraram inéditos para alguns mestrandos. Houve reflexões sobre a formação docente e profissional para inclusão, como ações necessárias de Educação Permanente. Ao final, para encerrar a Roda de Conversa, perguntou-se “O que aprendemos com essas reflexões?” e diferentes aspectos foram relatados, destacando-se: a relevância da temática; sua essencialidade para profissionais de saúde e docentes; reflexões sobre a própria prática e a aquisição de novos conhecimentos.
Conclusões ou Recomendações. A experiência vivenciada ao conduzir a Roda de Conversa sobre o Fortalecimento da formação docente e profissional voltada à diversidade e à inclusão na disciplina de EPS do Mestrado Profissional possibilitou refletir sobre a importância de pensar a formação em saúde, considerando a inclusão, a diversidade e a equidade como fundamentais neste processo. Como docente do ensino superior é preciso pensar que a formação em saúde envolve estudantes com diferentes condições socioeconômicas; experiências culturais; identidade de gênero; condições de deficiência; territórios e outros contextos de vida. O maior desafio para o ensino superior é formar profissionais capazes de atuar em contextos diversos garantindo os diretos à saúde de qualidade, respeito à diversidade, equidade e inclusão. Essa prática não só facilita a inclusão e permanência desses estudantes no ambiente universitário, como também, contribui para a formação de uma cultura acadêmica mais colaborativa. Assim, quando compreendida em sua complexidade, a prática inclusiva e colaborativa configura-se como um caminho potente para a inovação pedagógica e para a consolidação de uma educação mais inclusiva e significativa.
Palavras-chave: educação inclusiva; ensino superior; diversidade, equidade, inclusão.
Referências
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 23 dez. 1996.
BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/politica.pdf. Acesso em: 30 mar. 2026.
PIMENTEL, R. G. Inclusão de estudantes com deficiência na educação superior: formação docente e apoios institucionais. Contribuciones a las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v. 18, n. 6, p. 1–22, 2025. DOI: https://doi.org/10.55905/revconv.18n.6-113.
TOMELIN, Karina Nones et al. Educação inclusiva no ensino superior: desafios e experiências de um núcleo de apoio discente e docente. Revista Psicopedagogia, v. 35, n. 106, p. 94–103, 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862018000100011. Acesso em: 20 jun. 2024.
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