RASTREAMENTO TRIDIMENSIONAL DA TRAJETÓRIA DA BOLA NO BASQUETEBOL

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Resumo

No basquetebol, a análise da trajetória da bola é fundamental para compreender o desempenho do jogador, permitindo analisar a sua técnica de lançamento, uma vez que o movimento do jogador resulta na trajetória que este imprime à bola (Okazaki et al., 2015). Os sistemas de captura de movimento 3D (MoCap) tornaram-se o método de referência para análise de gestos técnicos no desporto (Colyer et al., 2018). Contudo, a trajetória da bola não é analisada utilizando o mesmo sistema de captura dos jogadores. Estudos (Mullineaux & Uhl, 2010; Slegers & Love, 2022) propuseram abordagens de colocação de marcadores para rastrear a bola de basquetebol. Este estudo teve como objetivo fazer a comparação de diferentes configurações de conjuntos de marcadores para rastrear a trajetória da bola no basquetebol, utilizando o sistema MoCap para avaliar as variáveis da trajetória da bola.

As configurações de marcadores descritos na literatura para bolas de basquetebol são a configuração de Slegers e Love (2022), com 26 marcadores equidistantes, e a de Mullineaux e Uhl (2010), com 5 marcadores, dois em pontos opostos e três formando um triângulo. A configuração proposta no presente estudo utiliza 8 marcadores, cobrindo melhor a superfície da bola em comparação com Mullineaux e Uhl (2010), enquanto permite capturar todos os pontos simultaneamente e determinar o centro de massa, algo inviável na proposta de Slegers e Love (2022).  

Para cada configuração foram recolhidos dados utilizando um sistema de captura de movimento 3D OptiTrack, com 10 câmeras infravermelhos a 100 Hz, e uma câmera de vídeo Sony DSC-RX100M5A com uma frequência de 120 Hz. Para cada uma das três configurações de marcadores, foram realizados dez testes, fazendo deslizar a bola de basquetebol numa calha mantendo sempre a posição da bola.

A altura máxima atingida no ressalto foi determinada utilizando a digitalização do vídeo através do software Tracker e através do sistema MoCap. O número de dados em falta para cada ensaio foi contabilizado. Considerando as três configurações de marcadores, o conjunto de marcadores proposto apresentou 26,00 ± 1,19 % de dados em falta, considerando a duração total do ensaio, já para as configurações de 5 e 26 marcadores, observou-se 66,00 ± 4,93% e 68,00 ± 3,05%, respetivamente. O coeficiente de correlação intraclasse (ICC) foi calculado entre os valores da altura máxima no ressalto medidos através do sistema MoCap e do vídeo. A configuração proposta pelos autores apresentou um ICC de 0,41, indicando confiabilidade moderada, enquanto a configuração de 5 marcadores apresentou um coeficiente de 0,02 entre os valores obtidos através dos dois métodos, indicando confiabilidade fraca.

A configuração proposta de 8 marcadores mostrou ser eficaz no rastreamento da trajetória da bola através do sistema MoCap, apresentando uma minimização de perda de dados em 60%, enquanto apresenta maior confiabilidade na comparação entre MoCap e vídeo. A melhoria na configuração de marcadores na bola permitirá avaliar a trajetória durante o lançamento no basquetebol, em simultâneo com a análise do movimento do atleta, proporcionando uma compreensão mais aprofundada do desempenho do jogador.

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Instituições
  • 1 Universidade de Coimbra
  • 2 Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
  • 3 Instituto Politécnico de Coimbra, Escola Superior de Educação
Eixo Temático
  • Esporte, Desempenho Esportivo e a Diversidade
Palavras-chave
Basquetebol
Trajetória
Cinemática
Markerset
Captura Movimento 3D