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Pensar numa metodologia que escape da colonialidade do saber é para além de um desafio, um exercício de resistência e de reencontro com formas de análise que se remetem aos modos mais artesanais de fazer pesquisa. Inicialmente entramos na primeira avenida sobre o diálogo de como os conceitos de interseccionalidade e decolonialidade estavam sendo vistos no campo do lazer. Fomos para as ruas das plataformas do Google Acadêmico, da Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e da Fundação de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Nessas três grandes ruas, dispusemos dos termos chaves em cruzamento: interseccionalidade, decolonialidade e lazer. Criamos um quadro de análise que nos permitiu costurar as amarrações dessas palavras. Em seguida, realizamos uma revisão da literatura, com análises temáticas e interpretativas, e compreendemos que interseccionar é tornar indivisível as estruturas sociais de raça, gênero, classe, entre outras; e a decolonialidade é prática cotidiana que alimenta a reflexão crítica a partir do reconhecimento da história colonial como marco violento nas trajetórias de vida dos/as colonizados/as. Assim, como olhar para esses cruzamentos no âmbito do lazer? O que temos produzido sobre essas avenidas cruzadas entre a interseccionalidade, decolonialidade e o lazer? Partimos para os títulos dos trabalhos com as palavras-chaves, lazer, interseccionalidade e decolonilidade e posteriormente refletimos sobre a abordagem desses temas nas publicações dos artigos. Como resultado, identificamos treze artigos, sendo o primeiro publicado em 2013 e o último em 2023. Notamos que o campo do lazer utiliza da abordagem interseccional e decolonial de maneira crítica, tomando essas categorias como analíticas, pedagógicas e políticas. Identificamos também que a relação entre lazer e a interseccionalidades e decolonialidades é recente e necessita de outras investigações. Percebemos ainda que, o marcador identitário de gênero se fez mais presente nos estudos de lazer, do que as categorias de classe e raça. Podemos afirmar que a classe se retrata pela desigualdade social e a falta de acesso a um direito social, no que refere ao lazer; e a categoria raça é a que menos sobressaiu nos estudos que pautava lazer e interseccionalidades. A base teórica de grande parte dos artigos é a ênfase a uma epistemologia feminista negra, que há de ser respeitada e difundida cada vez mais, falar de interseccionalidade não é dizer puramente de diferenças, mas enfatizar a opressão que o conjunto de mulheres diaspóricas sofrem pelo mundo. E a produção de conhecimentos que implica em refletir e aplicar a interseccionalidade e a decolonialidade como uma ferramenta analítica enfrenta, criticamente, a colonialidade do saber ao dar visibilidade a um conjunto de saberes que até pouco tempo atrás eram invisibilizados. O projeto colonial impôs crenças, imagens e o uso de padrões dos dominantes, para impedir e controlar a produção cultural dos ditos dominados. O lazer como manifestação cultural diversa e inclusiva se revela como um espaço/tempo possível em que a interseccionalidade e a decolonialidade sejam, de fato, uma forma de entender e explicar a complexidade do mundo, das pessoas e das experiências.
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