Lazer , quilombo e Hip Hop: projetos de conhecimento resistente

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Comunicação oral
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Resumo

O corpo negro é um corpo-arquivo de uma coletividade que apresenta uma gestualidade corporal, oralidade, um conjunto de elementos que compõe o repertório cultural e reproduz a memória dinâmica de um grupo em um processo continuum que se traduz em forma de resistência cultural. Assim, o corpo negro traz consigo a memória ancestral (oralitura), matizada num tempo espiralar, que se desloca no espaço geográfico como um quilombo ancestral provocando mudanças nas relações raciais e sociais. Dessa maneira, o Hip Hop, como fenômeno e movimento cultural que se transforma, aporta, se hibridiza e assume distintos formatos, ressignifica, de maneiras diferentes, os efeitos do fenômeno da diáspora negra pelo mundo, especialmente no contexto do lazer. Diante disso, este estudo tem por objetivo desvelar as memórias inscritas com as mulheres negras que dançam Hip Hop do Projeto Anjos D´ Rua, da cidade de Belo Horizonte. Como metodologia, mobilizamos a observação participante, compreendendo-a como um processo no qual as investigadoras estabelecem um relacionamento multilateral com um coletivo de mulheres negras do Hip Hop a fim de considerá-las sujeitas que contribuem com o estudo e não objetos da pesquisa. Anjos D ́ Rua é um projeto social de dança que tem enfoque no ensino de Hip Hop e há 22 anos oferece formação artística. No ano de 2024, conta com aproximadamente 200 participantes, distribuídos em 15 oficinas, no trânsito entre as proposições, turmas/coletivos e são pessoas, em sua maioria, que fazem parte da juventude negra, periférica e LGTBQIA+ da cidade de Belo Horizonte e região metropolitana, com idade entre 15 e 30 anos. A dança é  um de seus elementos de sustentação e organização social, cultural e política e, na cena urbana, é uma produção diaspórica constituída por traços de cultura e memórias de matrizes africanas, ressignificadas em cada território que se fixou e estabelecendo um movimento cosmopolita em diálogo com a moderna tecnologia urbana e letrada (Souza, 2011).Para a mulher negra, o Hip Hop torna-se “um espaço para expressar seu estado de abandono social” (Dias, 2019, p.155) , já que , por décadas,  a força patriarcal na cena inviabilizou o registro e memória de sua contribuição no fortalecimento da cultura. Como resultados, compreendemos que as mulheres negras do Hip Hop, pelo processo formador do corpo consciente e emancipado, seguem denunciando problemáticas como marginalização, opressão, decadência urbana, além de apresentar outras temáticas, como violência doméstica, sexismo e racismo. As mulheres que dançam Hip Hop performatizam as memórias ancestrais inscritas no corpo que reatualizam as histórias das suas identidades negras. O Hip Hop, por meio de estratégias contra-hegemônicas e de transformação, mobiliza o corpo consciente e faz ecoar o corpo emancipado. O Hip Hop funciona como um quilombo, um sistema de organização política e de resistência que enfatiza sua beleza e poética que mantém pulsante a essência da cultura negra.

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Instituições
  • 1 Ufmg
  • 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP – campus Campos do Jordão)
Eixo Temático
  • Educação Física e Escola
Palavras-chave
Hip Hop
Mulheres Negras
Quilombo
Identidade
Lazer