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A precisão e a eficácia do lançamento no basquetebol são elementos fundamentais para o desempenho desportivo, frequentemente decisivos nos resultados de competições. Estudos prévios destacam que o lançamento depende de uma combinação de fatores biomecânicos, técnicos e comportamentais, como a força aplicada, a coordenação motora e o tempo de execução. Contudo, ainda há lacunas na compreensão do impacto específico de variáveis biomecânicas, como as forças de reação do solo e a taxa de desenvolvimento de força (RFD) no salto, e o tempo de execução do lançamento, na precisão e eficácia do movimento.
A literatura indica que as forças de reação do solo refletem a capacidade do atleta em gerar o impulso necessário para um movimento eficiente, estando potencialmente relacionada com a precisão do lançamento. Da mesma forma, a RFD, que descreve a rapidez com que a força é gerada, é considerada crítica em movimentos explosivos, como o salto para o lançamento. Por fim, o tempo de execução (Δ tempo) é um indicador importante de fluidez e controlo motor, podendo influenciar a eficácia em cenários de pressão competitiva. Este estudo visa explorar a relação entre estas variáveis biomecânicas e a eficácia dos lançamentos, contribuindo para uma melhor compreensão das determinantes do desempenho.
A amostra foi constituída por 20 atletas seniores, de ambos os sexos (9 masculino, 11 feminino). Foram realizados lançamentos a uma distância de 6,75 metros do cesto e em três posições (central, 45° lado esquerdo e 45° lado direito), sob três condições distintas (sem restrições, com oposição simulada e com ruído de público simulado), totalizando 90 lançamentos por atleta. A precisão foi avaliada numa escala de 0 a 4, em que 0 é o lançamento falhado sem que a bola toque na tabela e 4 o lançamento convertido sem a bola tocar na tabela nem no aro. A eficácia foi categorizada como cesto marcado ou falhado.
Os resultados revelaram correlações estatisticamente significativas, mas fracas, entre as variáveis biomecânicas e a precisão. Fz máximas apresentou uma correlação negativa muito fraca (-0,111; p < 0,001), sugerindo que aumentos na força máxima atingidas no salto, podem reduzir ligeiramente a precisão. Por outro lado, Fz médio teve uma correlação positiva fraca (0,232; p < 0,001), indicando uma leve contribuição para melhorar a precisão. A RFD (-0,251; p < 0,001) e o Δ tempo (-0,171; p < 0,001) também exibiram correlações negativas fracas com a precisão. Juntas, estas variáveis explicaram proporções muito pequenas da variância na precisão (R² < 6,5%).
Quando analisada a eficácia, considerando lançamentos marcados e falhados, nenhuma das variáveis apresentou diferenças estatisticamente significativas. Estes resultados indicam que, apesar de existirem associações estatisticamente significativas com a precisão, o impacto prático das variáveis biomecânicas estudadas é limitado.
Conclui-se que outros fatores, como o comportamento visual, a técnica de execução e a influência do contexto, devem ser explorados para uma compreensão mais ampla dos determinantes da precisão e eficácia no lançamento no basquetebol. Este estudo contribui para demonstrar a importância de integrar múltiplas variáveis e abrir caminho para investigações futuras mais abrangentes.
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