FASE 1: Elaboração e Validação de Instrumento de Pesquisa para Avaliar as Relações entre Lazer (uso do tempo livre), Religiosidade e Qualidade de Vida

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Resumo

Este projeto tem como objetivo atender à Fase 1 da pesquisa principal, “EDUCAÇÃO FÍSICA, LAZER E PRÁTICAS CORPORAIS: análises a partir de perspectivas culturais diversas”, desenvolvida pela Rede Iberoamericana de Estudos Juvenis, formada por pesquisadores do Brasil, Portugal e Espanha, buscando compreender as interações entre lazer, religiosidade e qualidade de vida em jovens, especialmente no contexto pós-pandemia. É importante ressaltar que estapesquisa é referência para subsidiar políticas públicas para a juventude.

O objetivo principal é mapear como essas experiências sociais influenciam escolhas e comportamentos relacionados à saúde e bem-estar, oferecendo um panorama essencial para entender os desafios dessa geração.

A pesquisa reconhece o lazer como um direito social, conquistado historicamente por meio de lutas da classe trabalhadora, mas sujeito a preconceitos por contradizer a lógica da produtividade. O conceito é abordado partindo de duas vertentes: o tempo livre e a atitude crítica diante de sua utilização. Para que os jovens possam tirar pleno proveito do lazer, é necessário um processo educativo que ajude-os a desenvolver uma atitude consciente e autônoma em relação a esse tempo, permitindo que reconheçam a importância de, ocasionalmente, “perder tempo” para o desenvolvimento social e pessoal.

Ao examinar a influência da religião sobre o lazer, o estudo destaca restrições impostas por algumas denominações, especialmente as evangélicas, que veem o prazer corporal como pecaminoso. Essas religiões, em muitos casos, controlam as atividades de lazer de seus fiéis, oferecendo alternativas dentro do espaço religioso, visando promover uma vida espiritual ativa. Em contrapartida, a religião também é reconhecida como fonte de apoio emocional e espiritual, especialmente em momentos de crise, como na pandemia, impactando diretamente na saúde mental. Moreira Almeida (2009, citado por Monteiro et al., 2020) observou que, nas últimas décadas, as áreas médicas e psicológicas têm conduzido e publicado pesquisas científicas rigorosas sobre as relações entre espiritualidade, religiosidade e saúde mental. Essas pesquisas demostram que as previsões de alguns psiquiatras sobre o desaparecimento da espiritualidade/religiosidade não se concretizaram. Diante disso, conclui-se que a espiritualidade continua a ser um aspecto importante para a maioria das pessoas, indicando que o envolvimento religioso associa-se a melhores indicadores de saúde mental e bem-estar. 

A metodologia adotada é quanti-qualitativa, com revisão de literatura que abrange artigos publicados entre 2018 e 2023 (Oásis, Biblioteca digital de teses e dissertações, Web ofscience, Redalyc e Dialnet) em português e espanhol. Os resultados indicam uma concentração de publicações na Argentina e no Brasil, refletindo o forte interesse acadêmico nesses países. A maior parte dos estudos foca no cristianismo, enquanto religiões afro-americanas e o espiritismo foram menos explorados, revelando a necessidade de ampliar o escopo das pesquisas para incluir outras práticas religiosas e suas interações com o lazer. 

O estudo também evidencia a carência de pesquisas que abordem o impacto da pandemia sobre a relação entre lazer, religiosidade e qualidade de vida, especialmente no período pós-pandemia. 

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Instituições
  • 1 Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
  • 2 Universidade Federal do Espírito Santo
Eixo Temático
  • Direitos Sociais, Esporte, Educação Física
Palavras-chave
Lazer
Religiosidade
Qualidade de vida
Juventudes
Pandemia