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Introdução: as escolas de futebol – chamadas, também, de escolinhas – são produtos do movimento esportivista, de acepção militar (predominante na Educação Física nas décadas de 1960 e 1970) para formalização a sistematização da “produção” de atletas. Nasceram sob a égide epistemológica do inatismo e do empirismo: seriam, enquanto “centros de excelência”, o lugar ideal para o desabrochar do dom de meninos/as, que de dádiva (presente divino e herança genética) se converteria, pelo olhar clíníco de “especialistas”, reprodução técnica da empiria, em talento – a partir da correção de “vícios”. Objetivos: obter um panorama de como professores e professoras de futebol, inseridos no contexto de Iniciação Esportiva, percebem suas raízes epistemológicas, a partir das teorias do conhecimento inatista, empirista e interacionista. Metodologia: participaram da investigação 301 profissionais de Educação Física, radicados no Brasil, que ministram aulas de futebol para crianças de 4 a 15 anos, a partir do preenchimento do questionário epistemológico esboçado por Silva; Leonardo; Scaglia (2021). Resultados: houve maior identificação dos e das profissionais às afirmações associadas à teoria do conhecimento interacionista, em relação às teorias do conhecimento inatista e empirista. Ademais, a grande maioria dos/as docentes nas escolas de futebol possuem menos de quatro anos de exercício profissional e não almejam estar no contexto de Iniciação Esportiva. Conclusões: ainda que as e os participantes do estudo tenham fortemente se identificado com os princípios interacionistas, não é cabível desconsiderar a presença de crenças empiristas e inatistas – e a influência do paradigma científico tradicional - na composição de seus saberes profissionais. A popularização das escolas de futebol, sobretudo nas últimas três décadas, está atribuída ao anseio de clubes e empresários em “revelarem” jovens jogadores/as de considerável potencial esportivo e econômico, mas, também a fatores geográficos (urbanização desenfreada e seus efeitos nocivos nos grandes centros, como a redução dos espaços informais de prática de jogos/brincadeiras), sociais (ressignificação do brincar pelas novas gerações, frente à expansão digital), pedagógicas (pela perpetuação do modelo esportivista que se dirige à especialização precoce) e mercadológicos (considerando a adesão maçiça das instituições à mercantilização da educação), que se articulam. A Pedagogia do Esporte não deve, desse modo, se abster da promoção de reflexões sobre as epistemologias da prática e os processos contínuos de ressignificação desses sabores, evocadas em objetivos, intencionalidades, ações e aplicações pedagógicas, tomando em conta suas dissonâncias teórico-práticas no âmbito da iniciação esportiva voltada ao futebol.
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