Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

Esportes competitivos, como o voleibol e o basquetebol, impõem exigências físicas significativas sobre as jogadoras, incluindo saltos, acelerações, desacelerações, mudanças de direção e contato físico direto com adversárias. Essas atividades impactam vários sistemas corporais, como o musculoesquelético, o nervoso e o metabólico. Recentemente, observou-se um aumento na frequência de ações de alta intensidade durante as partidas, especialmente em esportes que requerem potencia muscular e agilidade. O salto com contramovimento (CMJ)  é um dos procedimentos mais utilizados para avaliar a força e a potência dos membros inferiores, sendo frequentemente integrado em baterias de avaliação física em programas de desenvolvimento de talentos em esportes juvenis. Estudos longitudinais são fundamentais para descrever e interpretar o desenvolvimento do desempenho ao longo do tempo. Dados longitudinais coletados em atletas jovens permitem identificar as contribuições relativas do crescimento, maturação e treinamento no desenvolvimento do desempenho. No entanto, estudos longitudinais em contextos aplicados de esportes juvenis apresentam desafios metodológicos que requerem abordagens analíticas robustas. Neste estudo, estimámos a tendência de desenvolvimento do salto vertical em jovens jogadoras de basquetebol e voleibol, utilizando modelos multinível com métodos Bayesianos.

A amostra considerou 81 atletas brasileiras (basquetebol: n=46; voleibol: n=35), com idade média de 14,0 (dp=1,6) anos, variando entre 11 e 18 anos. Considerámos medidas repetidas observadas no inicio, meio ou final de uma temporada competitiva, no período entre 2016 e 2024. Os dados representam um desenho longitudinal misto, onde foram incluídas medidas repetida com pelo menos duas observações num período de 12 meses. A impulsão vertical foi medida através do CMJ com mão na cintura. O modelo multinível assumiu uma estrutura polinomial (testando a possibilidade e incluir até parâmetro de idade cronológica elevada ao  cubo). Para considerar a variação associadas à modalidade desportiva, introduzimos a modalidade (variável binária: basquetebol, voleibol) como um efeito de nível de população. Os resultados do modelo mostraram uma tendência de desenvolvimento não linear da impulsão vertical em jovens atletas femininas, independentemente da modalidade esportiva. Observou-se uma tendência de uma taxa de desenvolvimento anais elevada até aproximadamente as idades de 14 anos no voleibol, e 15 anos no basquetebol. Após estas idades observou-se uma tendência de estabilização no desempenho com desenvolvimento positivo do desempenho moderado ou trivial nas atletas de basquetebol, e com possível perdas  no desempenho nas atletas do voleibol. Os resultados encontrados, provavelmente refletem a exposição contínua a estímulos de treino específicos das modalidades esportivas. Os  resultados sugerem que as interpretações e expectativas sobre o desenvolvimento em atletas adolescentes do sexo feminino devem considerar as determinantes de crescimento e maturação e a sua interação com as especificidades da exposição aos contextos de treino.

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Instituições
  • 1 Universidade Federal de Santa Catarina
  • 2 Universidade Estadual de Campinas
  • 3 University of Coimbra | (Universidade de Coimbra)
Eixo Temático
  • Iniciação, Formação Esportiva e o(a) Treinador(a)
Palavras-chave
Formação Esportiva
Maturação biológica
Modelos hierárquicos
Inferência Bayesiana
Atleta