CURRÍCULO CULTURAL, CRIAÇÃO E DIFERENÇA: A RESSIGNIFICAÇÃO A PARTIR DA RESISTÊNCIA

- 320739
Comunicação oral
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Resumo

Apresentamos neste trabalho resultados de uma pesquisa de mestrado amparada no campo teórico pós-estruturalista. Como objeto, nos ativemos às aulas de Educação Física realizadas com turmas do ensino fundamental I, cujo tema de estudo foi o basquete e ancoradas nos aportes teóricos e didáticos do Currículo Cultura (CC) da Educação Física (EF). Trata-se de uma proposta curricular a favor da resistência às imposições estabelecidas pelas instituições sociais assoladas pelo neoliberalismo. Um processo de resistência que pode acontecer nas ações pedagógicas pautadas em distintos encaminhamentos didático-metodológicos, como: mapeamento, ampliação, aprofundamento, leitura, vivência, ressignificação, registro e avaliação. As intenções docentes objetivam o acesso aos discursos e vivências das gestualidades a respeito do tema em estudo. Diante dos conflitos gerados nas aulas, problematiza-se  as verdades instituídas, o que permite aos discentes tensionarem certos discursos e suas certezas, para a produção de um encontro com outras representações, outros regimes de verdade sobre a prática corporal. Nesse processo pedagógico, nosso problema de pesquisa concentrou-se em um dos encaminhamentos que compõe o CC: a ressignificação. Para a mobilização da pesquisa, elaboramos algumas perguntas: quais são os efeitos da ressignificação no processo de leitura, interpretação e transformação de uma prática corporal tematizada nas aulas de Educação Física? Qual a potência desse encaminhamento para a transgressão dos limites normativos que as práticas corporais impõem aos estudantes? Como a ressignificação pode possibilitar a criação e a diferença? Para isso, buscamos algumas ferramentas conceituais para operarmos as análises, sendo: representação, de Stuart Hall,  governamentalidade e contraconduta, de  Michel Foucault. Como método, realizamos uma autoetnografia (Santos, 2017), e produzimos um relato de práticas  pedagógicas a respeito da tematização do basquete. Para a produção desse relato, fizemos uso de diário de bordo, gravações, fotos e filmagens das experiências pedagógicas. Ao analisarmos o relato, entendemos que: 1 - a governamentalidade está relacionada às práticas que governam as condutas das pessoas por meio de uma racionalidade que visa produzir sujeitos governáveis (Foucault, 2008). Algo que percebemos nas aulas, nos estudos sobre as regras e o modo de como essas operaram, assim como nas escolhas docentes e na sua relação com os discentes; 2 - que a contraconduta está nos processos de governamento dos sujeitos, em que a resistência de uma conduta reflete na produção de outras, que incidem em novas e diferentes formas de condução (Foucault, 2008). Nas aulas, percebemos ações de resistência por parte dos discentes em relação aos modos de regulação do basquete, visto que essas lhes possibilitaram a criação de contracondutas; 3 - que os discursos produzem representações diante das forças que operam o tempo todo, um movimento que impede a fixação das coisas, das identidades (Hall, 2016).  Algo que nas aulas, foi notado pelas diferentes possibilidades de jogar e pensar sobre o basquete. Diante desses apontamentos, notamos que a ressignificação emergiu nas práticas de resistência. Como efeito, criou outros modos de viver, pensar e representar a prática corporal em estudo, assim como, outros modos de viver, afirmando a diferença.

 

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de São Carlos
  • 2 Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Eixo Temático
  • Educação Física e Escola
Palavras-chave
Educação Física
Currículo Cultural
Ressignificação
Resistência
Diferença