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Introdução: O sobrepeso e a obesidade, condições complexas e multifatoriais, podem afetar a percepção da qualidade de vida (QV), especialmente no bem-estar físico e psicológico. A atividade física (AF) quando realizada no tempo livre e de forma sistematizada pode auxiliar na melhora da percepção da QV, na prevenção e controle destas condições e também na promoção de vínculos com a prática, benefícios psicossociais e interação com o ambiente. Objetivo: Verificar se há associação entre a percepção da QV, índice de massa corporal (IMC) e prática de exercícios físicos em participantes de um projeto de extensão universitária, no momento do ingresso. Metodologia: O estudo envolveu 160 pessoas adultas participantes do projeto de extensão “Programa de AF Para Adultos” da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da Universidade de São Paulo (USP). A anamnese classificou os participantes em três grupos quanto à prática de exercícios físicos por semana: “não praticava”, “praticava de 1 a 2x” e ”praticava 3x ou mais”. A percepção da QV foi avaliada pelo 12- Item Short Form Survey (SF-12v2). Para classificar o estado nutricional/antropométrico foi utilizado o IMC, classificando os participantes em eutróficos, sobrepeso e obesidade. Os dados foram analisados por meio da ANOVA tendo como variáveis dependentes em ambas as análises os domínios da QV e como variável independente na primeira análise o IMC e na segunda análise, a prática de exercícios; foi utilizado o post-hoc de Games-Howell, no software JAMOVI, com nível de significância de 5%. Os resultados são apresentados em média (desvio padrão). Resultados: Na análise tendo o IMC como variável independente, foi possível verificar diferença (p<0,05) entre os grupos em dois domínios da QV, com melhores resultados para o grupo sobrepeso em relação ao grupo obesidade na função física (p= 0,016) [83,9(22,8) vs 72,1(23,7)] e saúde geral (p=0,005) [70,7(16,4) vs 60,8(18,7)], sem evidência de diferença em relação ao grupo eutrófico. Em relação à prática de exercícios físicos, também foi possível observar diferença em dois domínios da QV, com melhores resultados para o grupo que praticava 3 ou mais vezes em relação ao grupo que não praticava para saúde geral (p=0,089) [68,6(18,3) vs (61,1(16,6)] e vitalidade (p= 0,012) [54,4(23,2) vs 43,0(22,7)], sem diferença em relação ao grupo que praticava de 1 a 2 vezes. Conclusão: Apresentaram-se melhores resultados para o grupo sobrepeso em dois domínios da QV: função física e saúde geral, sem diferenças em relação ao grupo eutrófico. Com isso, uma conclusão sugerida é que a obesidade pode afetar alguns aspectos da QV, entretanto, ser classificado como eutrófico, não significa necessariamente apresentar melhor QV. Outro aspecto é em relação à prática de exercícios, com melhores resultados nos domínios saúde geral e vitalidade da QV para o grupo que praticava 3 ou mais vezes em relação ao grupo que não praticava, mostrando que a prática de exercícios físicos pode ser considerada uma possibilidade na melhora da QV das pessoas.
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