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Concebemos a trajetória como um caminho que influencia e é influenciado pelas experiências vivenciadas e como um percurso percorrido e que tem imbricação com situações e escolhas relacionadas a um conjunto de fatores externos à profissão. Esses fatores aliados às condições subjetivas e internas a cada profissional, constituem as circunstâncias de vida, nas quais se desenrolam os momentos de escolha. Assim, discutir a trajetória de profissionais tem significado dialogar com aspectos relacionados à profissão e também com situações exteriores ao trabalho. Raymond e Tardif (2000) classificam essas situações, exteriores ao trabalho, como um saber pré-profissional, visto que se relacionam a condições vivenciadas nas dimensões pessoal, social, familiar, religiosa, escolar, esportiva, cultural e do lazer, como a história de vida e a socialização na escola em períodos anteriores à formação profissional. Nesse contexto, entendemos a trajetória como um caminho, orientado por situações vivenciadas nas experiências pessoal e profissional e que marcam a identidade profissional. Os conhecimentos adquiridos ao longo de nossa trajetória são importantes para a construção dos saberes e, além disso, ensinam como lidar com situações-problema no cotidiano da profissão. Portanto, ao traçar a trajetória de um profissional, abordamos a história de grupos, de espaços, de pessoas e instituições que influenciam e influenciaram a formação, vislumbrando a possibilidade de estabelecer conexões com as subjetividades, representações, relações de poder-saber e as concepções política e cultural imbricadas nesse processo. Diante disso, compreender a trajetória de profissionais de diferentes áreas nos auxilia na avaliação dos processos formativos, bem como na qualificação da ação profissional. Nesse sentido, esse estudo tem como objetivo analisar a trajetória de egressos/as do curso de Educação Física da UFMG e que ao longo de sua formação puderam participar como bolsistas ou voluntário/as do Programa de Educação Tutorial (PET) Educação Física e Lazer. Para tanto, estamos realizando entrevistas semi-estruturadas (Laville; Dionne, 1999) com os/as egressos/as por meio de um roteiro que inclui informações sobre suas vivências em diferentes espaços e momentos da vida. Além disso, buscaremos observar como o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, preconizado pelo Programa de Educação Tutorial, influenciou suas trajetórias acadêmicas, pessoais e profissionais. Por fim, nosso intuito é constituir um acervo de memórias dos/as egressos/as do grupo, para que as entrevistas possam ser disponibilizadas e utilizadas pela comunidade acadêmica, seguindo um movimento de preservação da história pessoal e institucional que tem se consolidado nas faculdades de Educação Física do país nas últimas décadas (Moro; Godoy, 2006). Como primeiros resultados, identificamos que os/as egressos/as do grupo e do curso estudado se mantém trabalhando na área de formação da educação física e tem ocupado lugar de destaque nas instituições que atuam. Além disso, muitos/as foram aprovados/as em concursos públicos de Universidades e Institutos Federais públicos, demonstrando a importância de uma formação que privilegie a tríade entre ensino, pesquisa e extensão.
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