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O objetivo deste trabalho é analisar e relatar a experiência de implementação do projeto de extensão Down-Ri - Recreação Integrativa para pessoas com Síndrome de Down, criado em 2022 e coordenado pelas professoras Aline Strapasson e Marília Martins Bandeira. O objetivo principal do projeto é oferecer atividade física gratuita, promovendo sociabilidade, diversão e saúde em sua concepção mais ampla e humanizada ao público alvo, capacitando os alunos da graduação para trabalhar com pessoas com deficiência intelectual no campo do lazer. A criação do projeto foi motivada pela demanda da comunidade e da Associação de Familiares e Amigos dos Down (AFAD) que não encontravam oportunidades dos alunos terem lazer fisicamente ativo sem ser competitivo, principalmente fora de idade escolar e conviverem com os seus pares. As aulas de 50 minutos seguem planejamento semestral construído conjuntamente por professoras e monitores, com atividades variadas: brincadeiras, jogos e exercícios físicos inspirados em modalidades esportivas e rítmicas. As aulas são padronizadas para ambas as turmas e registradas em relatórios que destacam os pontos positivos e negativos das estratégias implementadas. No ano piloto (2022), o projeto atendeu os primeiros a demonstrar interesse, participantes de diferentes idades, evidenciando a necessidade da intergeracionalidade quando percebido que alunos mais jovens podiam por vezes lidar melhor com a possibilidade de derrota e regras mais complexas, do que alunos mais velhos. Em 2023, o projeto se consolidou com aulas semanais organizadas em dois grupos de 15 alunos, distribuídos entre os turnos da manhã e da tarde, para contemplar diferentes contra-turnos escolares. Como consequência da avaliação do ano anterior, em que notamos que muitos alunos precisavam ainda desenvolver habilidades motoras fundamentais, em 2024 o projeto iniciou com a aplicação de testes utilizando o aplicativo Fundamental Motor Skills, que foi disponibilizado gratuitamente pelos criadores. As habilidades nas quais mais alunos tinham dificuldade foram selecionadas como prioridade do planejamento das aulas do ciclo anual e no final do ano os testes foram reaplicados e serão analisados posteriormente. O projeto revelou para quem não tinha convivência com a comunidade das pessoas com síndrome de Down a sua imensa diversidade interna entre elas, para além dos mais sabidos e temidos risco cardiovascular e instabilidade atlanto-axial e as diferentes características e suas distintas combinações possíveis a serem consideradas: pessoas não verbais, com transtorno opositor desafiador, com transtorno do déficit de atenção, com dificuldade de enxergar, com perda auditiva, entre outras. Essa realidade exigiu assistência individualizada para muitos beneficiários, o que demanda grande número de monitores. Muitas vezes, nossa participação se fez necessária tanto como apoio cooperativo, quanto como incentivo desafiador, ou seja, é preciso pegar na mão e fazer junto e repetir instruções perto dos alunos para alcançar melhores resultados com os que têm mais dificuldade. Além disso, percebemos a relevância de oferecer um retorno contínuo sobre o desempenho dos alunos. Os desafios do trabalho com grupos tão heterogêneos nos ensinou que a criatividade e readaptação das práticas é mais possível em debates coletivos em equipe pedagógica.
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