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O cheerleading é frequentemente associado a estereótipos de feminilidade, juventude e animação de torcida. Entretanto, sua inserção no contexto universitário brasileiro apresenta características próprias, envolvendo competitividade, sociabilidade e relações de gênero. Este estudo teve como objetivo descrever e analisar o surgimento da primeira equipe de cheerleading da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Blackbears, bem como compreender sua organização, as relações sociais estabelecidas e suas contribuições para a vivência universitária. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, inspirada na abordagem etnográfica de Magnani (2023), realizada por meio de observações sistemáticas dos treinamentos, registradas em diário de campo entre agosto e novembro de 2024, e entrevistas semiestruturadas realizadas entre março e junho de 2025 com seis atletas e a antiga treinadora da equipe. Os participantes possuíam, no mínimo, um semestre de experiência na modalidade e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Criado em 2016, o Blackbears foi a primeira equipe de cheerleading da Unicamp. Inicialmente, os treinamentos ocorreram em espaços abertos e, em 2019, a equipe conquistou um espaço no Ginásio Multidisciplinar da Unicamp. Desde 2023, configura-se como equipe COED. Apesar dos avanços, permanecem desafios relacionados à infraestrutura, financiamento, equipamentos e apoio institucional. Os integrantes apresentam trajetórias corporais diversificadas, demonstrando que a experiência prévia em dança ou ginástica não é determinante para a prática. Observou-se ainda o desenvolvimento de capacidades físicas, além do fortalecimento de vínculos de cooperação, confiança e pertencimento. As relações de gênero também se mostraram relevantes, com predominância feminina e persistência de estereótipos que dificultam a participação masculina. Conclui-se que o Blackbears constitui não apenas um espaço de prática esportiva e representação universitária, mas também de socialização, formação e pertencimento, embora ainda enfrente desafios relacionados às desigualdades de gênero, à infraestrutura e ao reconhecimento institucional da modalidade.
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