UMA CARTA A SUSI E À MINHA MÃE: JAMAIS AS ESQUECEREI

Vol 3, 2025 - 224452
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Resumo

Período de Realização Julho a dezembro de 2021. Objeto da produção A violência à qual, continuamente, corpos não-cisheteronormativos estão expostos. Objetivos Descrever as vivências de um estudante de graduação em Odontologia, enlutado pela perda recente da mãe, em um serviço de emergência hospitalrecifense, transformando a dor de minha experiência em poesia. Descrição da produção Aquelas gotas de sangue no chão branco, apesar da dor e violência que escondiam, mostraram uma face bela do caos. Os raios vermelhos eram como se um pintor, movido por muita raiva, tivesse jogado seus pincéis carregados de tinta às folhas. Era lindo! Gotas com as bordas das mais diversas formas, pequenos riscos e raios, formas distintas que não se comunicavam, mas que, em conjunto, passavam uma mensagem que ultrapassava o visual. Resultados Susi, como decidi chamá-la, havia sido atacada no rosto. Pelo pouco que entendi, resultado de um desentendimento com um cliente que se recusou a pagar o combinado pelo programa. Deitada na maca, nenhum procedimento técnico me era permitido executar, então foquei minhas forças naquilo que julgo fazer melhor: ouvir. Deitada na maca, estava entregue. Os lábios rasgados eram uma pequena demonstração de que gente como nós, está exposta por existir. Às vezes, existir é um crime. Aqui é, pelo jeito. Análise crítica da produção Antes, entre raras cruzadas, travestis e transexuais eram objeto de curiosidade, especialmente durante a minha adolescência. Evitava encará-las, mas eram alvo de olhares de acinte tímido. Eu, tão jovem, mal sabia, mas já reproduzia, mesmo que sem palavras, a transfobia. Éramos nós, os “normais”, de calças e vestidos; e elas, que desobedeciam àquela regra que nunca foi dita, mas compreendida e reproduzida por todos. Considerações finais Trata-se de um relato pessoal, que une um momento de perca de um ente querido do autor que, concomitantemente, encontrou a face mais cruel da violência racista e transfóbica no Brasil. Das pedras, tentei extrair flores. Flores murchas mas que, com a investigação científica, organização política e a ocupação de espaços de poder, têm absurda potencialidade para desabrochar. A estruturação textual foge às regras: assim como as travestis.

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Eixo Temático
  • Eixo 16 - Gêneros, Sexualidades e Saúde