SOFRIMENTO PSÍQUICO E RISCO DE SUICÍDIO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES: CARTOGRAFIA DAS PRÁTICAS DE CUIDADO NOS TERRITÓRIOS DA SAÚDE E DA EDUCAÇÃO EM CAMAÇARI-BA

Vol 3, 2025 - 219282
Comunicação Oral
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Resumo

Apresentação/Introdução O sofrimento psíquico de crianças e adolescentes tem se intensificado nas últimas décadas, com o aumento de emergências psíquicas e comportamentos suicidas. Este estudo parte da urgência de compreender como profissionais da saúde e da educação manejam esse sofrimento nos territórios, diante de discursos fragmentados e da invisibilidade dos determinantes sociais da infância e da adolescência. Objetivos Cartografar práticas e sentidos construídos por profissionais da saúde e da educação frente ao sofrimento psíquico e ao comportamento suicida em crianças e adolescentes no município de Camaçari-BA, propondo estratégias intersetoriais de cuidado e formação. Metodologia Trata-se de uma pesquisa qualitativa ancorada nos princípios da pesquisa-ação, com base em epistemologias críticas das ciências humanas. Foram realizados encontros formativos com 80 profissionais da Rede de Atenção Psicossocial, da Atenção Básica e da Educação Municipal de Camaçari-BA, utilizando oficinas, rodas de conversa e grupos focais. As análises dialogam com o Construcionismo Social, buscando compreender como os sentidos atribuídos ao sofrimento de crianças e adolescentes e ao suicídio impactam o cuidado e a gestão dos casos. As narrativas foram analisadas por meio da cartografia das práticas, com enfoque nos atravessamentos territoriais, institucionais e relacionais. Resultados As análises apontam a fragmentação entre saúde e educação no cuidado ao sofrimento psíquico e as dificuldades para reconhecer o suicídio como possibilidade na infância e na adolescência, além da ausência de dispositivos institucionais de suporte. As narrativas revelam a naturalização da desigualdade social e dos determinantes sociais do sofrimento psíquico. O dispositivo propiciou a criação de redes dialógicas entre saúde e educação, promovendo escuta, elaboração coletiva e estratégias de enfrentamento. Emergiram discussões sobre responsabilização familiar e desamparo institucional, além da urgência de políticas públicas intersetoriais e de cuidado territorializado para prevenir o suicídio. Conclusões/Considerações O sofrimento psíquico das crianças e adolescentes não pode ser reduzido a um fenômeno individual ou biomédico. Ele expressa dimensões históricas, sociais e afetivas do viver marcadas por exclusões e violências. A pesquisa aponta a necessidade de formação intersetorial para profissionais, valorizando os saberes do território e fortalecendo redes de cuidado. Reconhecer o suicídio como questão de saúde coletiva é fundamental para enfrentá-lo.

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Eixo Temático
  • Eixo 18 - Infância, adolescência e saúde