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Resumo

Apresentação/Introdução A hepatite B é uma infecção viral de relevância global, com potencial de evolução para formas crônicas. Apesar da existência de protocolos clínicos e tratamentos eficazes, a descontinuidade do cuidado persiste como um desafio nos serviços de saúde, especialmente em regiões com desigualdades sociais e fragilidade na organização das redes de atenção. Objetivos Compreender, a partir da perspectiva dos usuários, os sentidos que contribuem para o abandono do tratamento da hepatite B. Metodologia Estudo com delineamento na Pesquisa Convergente Assistencial (PCA), realizado na Macrorregião Centro-Norte do estado de Mato Grosso, conduzido em duas fases: levantamento de dados secundários do SINAN e Siclom, entre os anos de 2021 e 2024. Após, realização de entrevistas com os usuários com diagnóstico confirmado de hepatite B que, conforme registros institucionais, haviam interrompido o tratamento no período estabelecido. A abordagem ocorreu de forma individualizada, por meio de contato telefônico, e as entrevistas foram realizadas com auxílio de roteiro semiestruturado, e gravadas. Após a transcrição os dados foram organizados e submetidos à análise temática. CAAE: 01481918.0.0000.5393. Resultados 54 pessoas foram identificadas em situação de abandono, destes 36 (66,67%) eram do sexo masculino e 18 (33,33%) feminino. Notou-se inconsistência no banco de dados, limitações por vínculo de contato de terceiros, além de inconsistências cadastrais. 37% dos usuários não atenderam ou encerraram a ligação abruptamente, enquanto 1,85% recusaram formalmente. As entrevistas indicam que a obtenção de medicamentos em quantidade superior ao necessário, geram atrasos nas retiradas posteriores. Em outros casos, o uso do medicamento foi esporádico, por não necessitar do tratamento contínuo, seja por cura, abandono ou por utilizar em situações específicas, como gestação, procedimentos cirúrgicos. Conclusões/Considerações A expressiva dificuldade de contato e a ausência de vínculos ativos com os serviços de saúde demonstram, por si só, um elemento central do fenômeno investigado, a invisibilização e a fragilidade das estratégias de seguimento dos casos pela rede de atenção. Tais barreiras revelam não apenas questões de ordem técnica e sistêmica, mas também sociais e subjetivas, que se tornam parte do campo analítico da integralidade e da permanência no cuidado.

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Eixo Temático
  • Eixo 12 - Doenças Transmissíveis