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Período de Realização A experiência relatada ocorre com base nas experiências de março a dezembro de 2024 em um CAPSij. Objeto da experiência A continuidade do cuidado de jovens em acompanhamento nos Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenis que atingem os 18 anos. Objetivos Analisar criticamente, a partir de um relato de caso, as questões que atravessam a experiência de adolescentes e jovens que se aproximam do prescrito como “idade limite” para os serviços de saúde mental infantojuvenis. Descrição da experiência O relato parte da experiência da autora enquanto residente multiprofissional em Saúde Mental Coletiva, atuando em um CAPS infantojuvenil na cidade de Porto Alegre/RS. Neste contexto, é realizado o acompanhamento de um jovem, negro, institucionalizado desde a infância, que ao fazer 18 anos passa por diversas mudanças, dentre elas a troca de casa - do acolhimento institucional para um residencial inclusivo - e a troca de serviço - de um CAPSij para um CAPS Adulto. Resultados Dessa experiência, evidenciou-se a complexidade do processo de continuidade do cuidado, tomado no cotidiano do serviço como uma atribuição burocrática, mas que carrega uma série de representações para o sujeito acompanhado, como a sensação de abandono e o medo da desorganização psíquica com a perda de vínculo. Ainda, ficou evidente a falta de políticas voltadas para as juventudes e de pesquisas que abordem o processo de saída do CAPSij e a relação deste processo com a reabilitação psicossocial. Aprendizado e análise crítica A construção da continuidade do cuidado tem papel fundamental na construção do itinerário terapêutico do jovem acompanhado, em intersecção da experiência da “loucura” com marcadores de raça, gênero e classe. Ainda, analisamos que dentro dos serviços de saúde mental, corre-se o risco de produzir a cronificação e institucionalização dos sujeitos, bem como da produção de um limbo no percurso do cuidado, principalmente para corpo já atravessados por processos de estigmatização e desproteção social. Conclusões e/ou Recomendações Conclui-se que a continuidade do cuidado pode atuar no sentido do cuidado em liberdade e da promoção de autonomia, fazendo uso de ferramentas já existentes no arcabouço teórico-prático da clínica ampliada, como o Acompanhamento Terapêutico e a formulação de projetos de vida. Ainda, recomenda-se a articulação com a Atenção Primária, o fortalecimento dos espaços de matriciamento e da rede intersetorial nos territórios voltada para as juventudes.
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