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Apresentação/Introdução A saúde mental tem ganhado centralidade nas agendas globais diante do aumento expressivo de diagnósticos psiquiátricos em diversos contextos sociais. Ainda que as manifestações do sofrimento sejam locais, há padrões comuns que apontam para causas estruturais compartilhadas. Esta pesquisa propõe compreender a saúde mental global a partir das macroestruturas econômicas, políticas, sociaIs Objetivos Compreender como os sistemas econômicos, políticos, sociais e culturais contribuem para a produção do sofrimento social em diferentes contextos, com ênfase nas experiências do Sul Global Metodologia Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e analítica, fundamentada na análise hermenêutica-dialética. A coleta de dados é realizada por meio de três estratégias articuladas: (1) análise documental de políticas e diretrizes internacionais de saúde mental; (2) entrevistas semiestruturadas com pesquisadores, profissionais e usuários de serviços de saúde mental; e (3) organização de um Seminário Internacional de Saúde Mental Global no Brasil, reunindo participantes nacionais e internacionais para discussão crítica das macroestruturas geradoras de sofrimento. O seminário inclui grupos focais, rodas de conversa e sistematização coletiva dos debates. Resultados A pesquisa produz uma análise crítica das diretrizes e práticas hegemônicas da saúde mental global, destacando suas limitações na abordagem de determinantes estruturais. Esse trabalho contribui para identificar como as macroestruturas influenciam o sofrimento coletivo e como diferentes atores, especialmente do Sul Global — constroem alternativas e resistências frente aos modelos medicalizantes e individualizantes. A sistematização dos debates do seminário internacional contribuirá com proposições para políticas públicas que reconheçam o processo de determinação global do sofrimento mental e que promovam abordagens que considerem os fatores comuns a diferentes sociedades. Conclusões/Considerações Conclui-se que compreender a saúde mental global requer ir além dos modelos clínicos e biomédicos, adotando uma abordagem que reconheça os efeitos da desigualdade global, da colonialidade e da necropolítica sobre o sofrimento social. O estudo contribui para a construção de políticas de saúde mental que articulem justiça social, justiça climática e direitos humanos, valorizando saberes e práticas do Sul Global.
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